Novas dependências: drogas sintéticas, jogo e internet desafiam políticas públicas na Itália

Relatório aponta que a verdadeira emergência são as novas dependências: drogas sintéticas, jogo e uso problemático da internet entre jovens.

Novas dependências: drogas sintéticas, jogo e internet desafiam políticas públicas na Itália

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Novas dependências: drogas sintéticas, jogo e internet desafiam políticas públicas na Itália

Por Giuseppe Borgo — A paisagem das dependências na Itália já não se resume apenas às substâncias clássicas. O mais recente Relatório anual ao Parlamento sobre o fenómeno das dependências revela que a verdadeira emergência atual são as novas dependências — um espectro que abrange desde as drogas sintéticas encomendadas online até o jogo de azar e o uso excessivo do digital e do gaming, com impacto direto sobretudo entre os jovens.

O documento, apresentado à Presidência do Conselho dos Ministros, traça um cenário em transformação: diminui o consumo declarado de cannabis, mas crescem tanto as drogas sintéticas quanto as dependências comportamentais. Os dados são inquietantes: mais de um em cada quatro jovens entre 15 e 19 anos usou pelo menos uma substância ilegal no último ano. Paralelamente, registram-se comportamentos de risco relacionados ao uso problemático da internet e ao gaming, que comprometem a liberdade e a dignidade da pessoa.

Essa mudança de foco encontra-se refletida na própria denominação atualizada do Departamento responsável — o Dipartimento per le Politiche contro la droga e le altre dipendenze —, sinal de uma abordagem que passa a considerar a pessoa em sua totalidade, não apenas a substância. É uma tentativa de reforçar os alicerces na construção de políticas públicas que respondam a uma nova arquitetura de risco.

Entre os atores envolvidos, a fundadora da comunidade Nuovi Orizzonti, Chiara Amirante, participou dos grupos de trabalho que ajudaram a moldar o relatório. Na cerimónia do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, realizada no Palácio do Quirinale e com a presença do Presidente Sergio Mattarella e do Subsecretário Alfredo Mantovano, houve espaço para testemunhos que humanizam o problema.

Luciano Giammarino, operador da comunidade terapêutica Nuovi Orizzonti, relatou o próprio percurso de recuperação durante o evento, sublinhando que acolhimento, relações e acompanhamento praticado em comunidades terapêuticas são instrumentos concretos de reinserção social. 'A luta contra as dependências não pode limitar-se ao confronto com as substâncias', disse Chiara Amirante, lembrando que cada dependência surge a partir de uma ferida e que essas feridas podem tornar-se portas para uma vida nova se a sociedade não deixar a pessoa isolada.

Como repórter atento à interseção entre decisões em Roma e a vida dos cidadãos, observo que o desafio agora é transformar diagnóstico em políticas que cheguem ao terreno: prevenção na escola, regulamentação do comércio online de substâncias, redes de apoio para dependências comportamentais e programas que unam serviço público e terceiro setor. Em outras palavras, é preciso construir pontes entre instituições e comunidades, derrubar barreiras burocráticas e reforçar o peso da caneta onde ela deve garantir proteção e reinserção.

O relatório lança um alerta claro: a resposta exige coordenação, recursos e uma visão centrada na pessoa. Sem isso, arriscamo-nos a ver ampliada uma crise que já não cabe apenas nas estatísticas sobre drogas — ela reflete falhas na arquitetura social e na rede de cidadania que deveria amparar os mais vulneráveis.