Oposição ataca Governo após onda do 'Não' no referendo, mas a Ucrânia volta a fraturar o campo progressista

Oposição pressiona Meloni após ‘Não’ no referendo; divergência sobre apoio militar à Ucrânia fragmenta o campo progressista.

Oposição ataca Governo após onda do 'Não' no referendo, mas a Ucrânia volta a fraturar o campo progressista

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Oposição ataca Governo após onda do 'Não' no referendo, mas a Ucrânia volta a fraturar o campo progressista

A onda de choque do voto “Não” no referendo sobre a justiça continua a reverberar em Roma, e as oposições veem na crise da maioria a oportunidade para pressionar o Executivo. Com o Governo e a coalizão de centro-direita visivelmente em dificuldade, o chamado “Campo Largo” decidiu partir para a ofensiva parlamentar.

Partido Democrático, Movimento 5 Stelle, Alleanza Verdi e Sinistra e Italia Viva enviaram uma carta formal aos Presidentes da Camera e do Senato exigindo que a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, preste esclarecimentos em Plenário sobre as linhas de orientação do Executivo. A manobra tem objetivo claro: expor as contradições internas da maioria e deslocar o confronto político para o coração das instituições, onde a caneta e as palavras têm peso.

Apesar do ataque coletivo, a construção de uma alternativa política organizada segue repleta de obstáculos. Em Roma, a convenção promovida por +Europa tentou estabelecer os alicerces de uma aliança progressista centrada na defesa da União Europeia. No entanto, o ponto de atrito principal continua sendo a questão dos apoios militares a Kiev.

O secretário de +Europa, Riccardo Magi, foi categórico: “Se estivermos no governo, o apoio à Ucrânia, inclusive militar, nunca faltará”. Essa posição colide frontalmente com a linha do M5S, rebatida por Giuseppe Conte, que apesar de condenar a agressão russa chamou os planos de rearmamento de “dinheiro jogado fora” e reafirmou o não ao envio de novas armas.

O senador do PD Filippo Sensi leu a declaração de Conte como um retrocesso em relação às resoluções comuns já assinadas. Em resposta, a líder democrata Elly Schlein tentou apaziguar os espíritos, convocando os parceiros a uma mesa de negociação para valorizar os pontos de convergência e aparar as arestas das divergências.

Nas ruas da capital, a mobilização deu outro tom ao dia: dirigentes do PD, do M5S e toda a linha de frente da AVS participaram de uma manifestação contra a guerra e o rearmamento. A marcha também serviu para proteger politicamente a eurodeputada Ilaria Salis, alvo de polêmica após uma abordagem policial, quando nomes como Nicola Fratoianni e Angelo Bonelli fizeram cena de apoio público.

Quanto às candidaturas e ao formato de disputa interna, as primárias permanecem em disputa. Na convenção surgiram candidaturas de peso — o prefeito de Nápoles, Gaetano Manfredi, e o promotor do projeto cívico Alessandro Onorato — enquanto faltou a intervenção da prefeita de Gênova, Silvia Salis. Giuseppe Conte pediu cautela quanto a uma consulta imediata: “Hoje venceriam os personalismos. Primeiro precisamos de um projeto partilhado; só depois vierem as primárias”.

No plano institucional, seguem sobre a mesa propostas de reforma da justiça comum para recuperar eficiência e tentar superar o impasse pós-referendário, além de conter as derivações correntícias no interior da magistratura. A tarefa é, nas palavras de quem observa, reconstruir alicerces e derrubar barreiras burocráticas que impedem a tradução do voto popular em reformas concretas.

A crise aberta pelo referendo transformou a política num canteiro de obras: há quem queira edificar uma frente de oposição coesa e quem prefira erguer muros em torno de posições já definidas. O desafio para o Campo Largo será, nas próximas semanas, transformar vocação em estrutura e discriminar o que é ponte — e o que é abismo.