Paglia responde a Giannini: 'Nenhuma vida é inútil na cadeira de rodas'

Paglia rebate Giannini: "Nenhuma vida é inútil na cadeira de rodas"; militar ferido na Somália pede condenação e intervenção da Ordem dos Jornalistas.

Paglia responde a Giannini: 'Nenhuma vida é inútil na cadeira de rodas'

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Paglia responde a Giannini: 'Nenhuma vida é inútil na cadeira de rodas'

Gianfranco Paglia, medaglia d'oro ao valor militar e figura ativa na defesa dos direitos dos veteranos, rebateu com veemência as declarações do jornalista Massimo Giannini que equiparou a ineficácia governamental a uma "vida inútil como um centenário na cadeira de rodas". Em texto publicado no Secolo d'Italia, Paglia classificou as palavras como "sórdidas" e disse-se surpreendido por ouvir isso de quem se apresenta como progressista.

Paglia, que vive em cadeira de rodas há 33 anos após o atentado sofrido durante uma missão na Somália, rejeita com firmeza a ideia de que a deficiência ou a velhice signifiquem inutilidade. "A vida é única, independentemente de ser com ou sem deficiência", afirma o coronel, lembrando que conduz sua existência "de cabeça erguida" sobre sua cadeira. "Não sei como essa frase pôde vir à mente de Giannini", acrescenta.

O tom da resposta mistura indignação e convocação à responsabilidade pública. Paglia reprova não só a fala do jornalista, mas a condescendência do ambiente progressista que, segundo ele, deveria melhor conhecer as experiências de pessoas com deficiência que contribuem significativamente para o país. "Seria útil frequentar quem vive a deficiência com dignidade e dá muito ao seu País", escreve, reforçando o papel pedagógico de suas atividades em escolas, onde percebe que "os jovens nem sequer enxergam a deficiência como algo definidor".

O episódio já ganhou repercussão política: o partido Fratelli d'Italia havia levantado o caso e Paglia espera agora uma condenação ampla. "A deficiência não tem cor política; é preciso que a política não se parta", afirma, exigindo também a intervenção da Ordem dos Jornalistas. Para ele, trata-se de um caso em que a liberdade de opinião não pode servir de escudo para ofensas que ferem a dignidade de famílias e cidadãos.

Paglia aponta o perigo social da retórica que criminaliza a vulnerabilidade: além de marginalizar, transmite um sentimento de fragilidade e humilhação às famílias que lidam diariamente com desafios e perseverança. Citando o Presidente Sergio Mattarella, ele lembra que a deficiência muitas vezes é "um motor de beleza e de afirmação", exatamente o oposto da "inutilidade" evocada por Giannini.

Como repórter atento à arquitetura das decisões públicas e seus efeitos cotidianos, registro que este episódio exige um reparo institucional — não apenas retórico. A política e a mídia têm o "peso da caneta" e a responsabilidade de contribuir para a construção de direitos, não para derrubar pontes civis. Paglia pede, portanto, não apenas desculpas, mas uma reflexão pública que sirva de alicerce para uma convivência mais justa e inclusiva.