Parlamento Europeu exige lei da UE que defina estupro pela ausência de consentimento; direita italiana se divide

Parlamento Europeu exige definição de estupro pela ausência de consentimento; direita italiana se divide e debate projeto travado no Senado.

Parlamento Europeu exige lei da UE que defina estupro pela ausência de consentimento; direita italiana se divide

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Parlamento Europeu exige lei da UE que defina estupro pela ausência de consentimento; direita italiana se divide

Por Giuseppe Borgo — O Parlamento Europeu aprovou uma resolução que pede à Comissão Europeia a elaboração de uma lei complementar definindo o estupro com base na ausência de consentimento, alinhada à Convenção de Istambul. A moção foi aprovada com 447 votos a favor, 160 contra e 43 abstenções, recebendo aplausos no hemiciclo em Estrasburgo.

O resultado europeu contrasta com a situação em Roma, onde o projeto de lei que deveria introduzir o conceito de consentimento no ordenamento italiano acabou sendo alterado pela relatora leghista Giulia Bongiorno, que optou por priorizar a expressão de dissenso em vez da base do consentimento. A disputa política transformou o texto em foco de um embate que expõe fissuras na arquitetura dos partidos italianos — do qual dependem os alicerces da proteção às vítimas.

Também em Estrasburgo, o posicionamento italiano ficou fragmentado. Votaram a favor eurodeputados do PD, do M5S e do grupo AVS. A direita italiana apareceu em ordem dispersa: Fratelli d’Italia votou contra; a Lega optou pela abstenção; e Forza Italia se dividiu internamente — a favor, De Meo, Falcone, Martusciello, Moratti e Tosi; contra, Salini; absteve-se Casa.

Nas reações em Roma, as oposições pedem um virar de página. Para a 5 Estrelas Carolina Morace, “os partidos de direita perderam a oportunidade de demonstrar que estão alinhados com os tempos e com o sentimento da esmagadora maioria dos cidadãos. A Itália deve adaptar-se, e a Comissão Europeia deve intervir”. A líder de bancada do PD, Chiara Braga, definiu a0 posicionamento da UE como “um sinal de civilização” e exigiu que o projeto de lei sobre o consentimento, já aprovado na Câmara e parado no Senado, seja desbloqueado imediatamente: “Não são mais aceitáveis atrasos num tema de civilização”.

O texto comunitário, redigido nas comissões de Liberdades Civis e Direitos das Mulheres do Parlamento Europeu e assinado pelas eurodeputadas socialistas Evin Incir (Suécia) e Joanna Scheuring-Wielgus (Polônia), solicita que a Comissão apresente uma nova norma complementar à diretiva europeia de 2024 sobre combate à violência contra as mulheres e violência doméstica, incluindo explicitamente a definição de estupro baseado na ausência de consentimento.

O Parlamento pede ainda que Estados-membros cujas legislações ainda se apoiam em definições centradas na força ou na violência alinhem-se às normas internacionais e garantam proteção e apoio adequados a vítimas e sobreviventes em toda a UE. O texto esclarece que silêncio, falta de resistência, a ausência de um “não”, um consentimento prévio, a conduta sexual passada ou uma relação atual ou anterior não podem ser interpretados como consentimento. Os deputados destacam que o consentimento deve ser avaliado no contexto, incluindo situações marcadas por violência, ameaças, abuso de poder ou intimidação.

Em termos práticos e civis, trata-se de construir pontes entre a legislação e a vida real das pessoas: reforçar os alicerces legais para que o peso da caneta seja usado para derrubar barreiras burocráticas que ainda dificultam acesso à justiça. Para os defensores da medida, não é uma batalha simbólica, mas a atualização necessária da arquitetura do direito penal para proteger quem sofre violência sexual.

Agora, além do sinal político em Bruxelas, a questão volta-se para Roma — onde o caminho legislativo precisa ser reaberto e alinhado com o padrão europeu. A expectativa é que a Comissão Europeia acompanhe e que os partidos nacionais transformem retórica em lei, concretizando a construção dos direitos que a sociedade exige.