Parodi anuncia demissão da ANM por motivos familiares: “Tive um minuto para comunicar”

Parodi renuncia à presidência da ANM por motivos familiares; negou ligação com o resultado do referendo e comentou os cânticos 'Bella ciao'.

Parodi anuncia demissão da ANM por motivos familiares: “Tive um minuto para comunicar”

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Parodi anuncia demissão da ANM por motivos familiares: “Tive um minuto para comunicar”

Cesare Parodi, presidente cessante da ANM, explicou em entrevista à rádio Rtl 102.5 as razões que o levaram a apresentar as dimissões no sindicato das magistraturas poucos instantes antes do início da apuração do referendo. Segundo Parodi, não houve qualquer relação entre a sua saída e o resultado: “Não há nexo com o resultado – repete – eu não sabia que tinha vencido quando comuniquei, tinha um minuto para dizer isso, com as urnas fechadas e antes dos exit polls, e nesse minuto eu comuniquei”.

O chamado "parlamentino" da ANM voltará a reunir-se no sábado, 28 de março, e um dos pontos da pauta é justamente a eleição do novo presidente, após a decisão de Parodi de se afastar por “graves motivos familiares”.

Parodi descreveu a sua decisão como uma escolha pessoal e que, embora dolorosa, era necessária: “É uma motivação pessoal, ligada a motivos de saúde de uma pessoa querida, portanto nada de extraordinário”, afirmou. Ele rejeitou relatos surgidos em redes sociais que insinuavam ameaças ou ofertas de cargos políticos: “Coisas absurdas apareceram nas redes, que eu teria sido ameaçado ou que me ofereceram lugares políticos — absolutamente não. Vou terminar a minha carreira na magistratura; não ambiciono nada além de concluir o meu trabalho com decoro no meu atual escritório”.

Sobre os magistrados que entoaram "Bella ciao" em Nápoles após o resultado do referendo, Parodi foi ponderado. Reconheceu que, se o gesto foi momentâneo e fruto de tensão acumulada, é humana a compreensão, embora ele pessoalmente não o teria feito: “Se foi um gesto estemporâneo depois de longa tensão, é humanamente compreensível, ainda que eu certamente não o teria feito. Não critico ninguém; cada um tem a sua reação”.

O ex-presidente reforçou que não considera a ação algo de viés político. “Eu nunca tive atitudes desse tipo. Partilho as indicações do presidente Mattarella para manter sempre um comportamento institucional e uma compostura que são absolutamente importantes. Foi, creio, um momento de desabafo depois de longa tensão, não um gesto político”.

Quanto ao futuro imediato e às prioridades para a justiça, Parodi declarou que a associação não se oporá a reformas consideradas concretamente úteis: “Aquelas ligadas ao pessoal administrativo, à informática que funcione, à geografia judiciária, aos problemas carcerários são, para mim, todas reformas estruturais”.

Parodi também destacou a necessidade de compatibilizar eficiência e garantias para o cidadão: “Sabemos que os fundos disponíveis para a justiça não são ilimitados. Uma revisão da normativa civil e penal que conjugue eficiência e garantias ao cidadão a custo praticamente zero poderia ser um bom caminho, embora eu saiba que não é fácil”.

Como repórter que vê nas decisões de Roma o peso da caneta sobre a vida das pessoas, registro que a saída de Parodi deixa um vácuo à frente da ANM num momento em que se debatem mudanças estruturais — é hora de reforçar os alicerces da lei e construir pontes firmes entre as instituições e a sociedade. A eleição do novo presidente e a condução das reformas serão passos decisivos na arquitetura do sistema judiciário italiano.