Pina Picierno deixa o PD: 'Partido foi desfigurado por Schlein' e acena a novo centro reformista

Pina Picierno anuncia saída do PD, critica Schlein e mira formação de novo centro reformista; tensão também em Bruxelas com mudança para Renew Europe.

Pina Picierno deixa o PD: 'Partido foi desfigurado por Schlein' e acena a novo centro reformista

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Pina Picierno deixa o PD: 'Partido foi desfigurado por Schlein' e acena a novo centro reformista

Era um adeus que vinha sendo anunciado nos bastidores, mas a confirmação abre rachaduras visíveis nos alicerces do Nazareno. A eurodeputada Pina Picierno, figura de destaque do campo reformista, confirmou sua saída do Partito Democratico (PD). A decisão é fruto de meses de dissenso público em relação à linha política definida pela secretária Elly Schlein, que Picierno considera excessivamente inclinada à esquerda e demasiado tolerante com posições do Movimento 5 Stelle.

Em entrevista ao Il Foglio, Picierno foi direta: "A casa dos reformistas não existe mais – o partido sofreu um desvirtuamento". A declaração simboliza um rompimento não apenas partidário, mas de projeto: trata-se, nas palavras da eurodeputada, de um desgaste da identidade riformista que pede reconstrução.

A resposta de Elly Schlein demorou, mas não se fez de silêncio. Declarou-se "muito desapontada", ao mesmo tempo em que defendeu com firmeza o rumo adotado: "Continuaremos a trabalhar por um PD plural, inclusivo, naturalmente sem renunciar ao mandato que temos para uma linha clara e progressista". Schlein ainda contrapôs a leitura de Picierno: "Não concordo com essa leitura do PD de hoje".

O gesto de Picierno não é isolado: segue semanas depois da saída da deputada Marianna Madia, que também se afastou por razões similares. Mas a europeia campana deixa claro que não busca, por ora, a filiação formal a Azione ou Italia Viva. O projeto idealizado por ela mira a construção de um novo sujeito centrista, um fórum que recupere um riformismo coerente e popular. "É preciso um riformismo coerente e popular — há de haver um empenho comum para nascer um novo sujeito político. Pongo-me ao serviço dessa ideia", afirmou.

Essa perspectiva encontra eco nas palavras recentes de Romano Prodi, que em editorial no Il Messaggero conclamou: "A resposta aos populismos é o riformismo" — um apelo que ressoa como um convite à construção de pontes entre correntes moderadas e pró-europeias.

No entanto, a saída de Picierno tem impacto imediato também em Bruxelas. A eurodeputada passará a integrar o Partido Democrático Europeu, que no Parlamento Europeu integra o grupo liberal do Renew Europe. O grupo dos Socialistas e Democratas (S&D), do qual o PD é membro, exigiu que Picierno renuncie à vice-presidência do Parlamento Europeu. Em nota, o S&D argumentou que, embora o regulamento permita a manutenção do cargo, fazê-lo seria "politicamente incoerente", porque as vice-presidências refletem o peso dos grupos políticos.

Picierno, porém, já sinalizou que não pretende recuar. Nos corredores de Estrasburgo lembra-se que haverá renovação das presidências no início de 2027 — uma reconfiguração em que sua recondução em quota PD já era vista como improvável, com nomes como Nicola Zingaretti cotados para sucedê-la. Agora, a deputada campana poderia tentar manter-se no posto sob a bandeira do Renew.

Em Roma, o PD tenta selar fissuras e impedir um efeito dominó. Outras vozes do campo reformista, como Giorgio Gori e Graziano Delrio, passam a ser observadas com atenção, enquanto a direção trabalha para reafirmar os alicerces do partido e conter deserções.

Para além das disputas internas, o episódio mostra como decisões tomadas em Roma têm repercussão imediata nas pontes institucionais com Bruxelas: o peso da caneta que redesenha campos políticos se traduz em cargos, alianças e no equilíbrio de forças europeias. A saída de Pina Picierno é, portanto, um sinal de alerta para quem acompanha a arquitetura do voto e a construção de novas pontes entre o centro e a esquerda européia.