Pina Picierno deixa o PD: “A casa dos riformistas não existe mais” e se aproxima de Renew Europe
Pina Picierno deixa o PD e se aproxima de Renew Europe, citando ambiguidade sobre a Ucrânia e acusando o partido de perder seus riformistas.
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Pina Picierno deixa o PD: “A casa dos riformistas não existe mais” e se aproxima de Renew Europe
Por Giuseppe Borgo — Em movimento que reconfigura corredores e alianças em Bruxelas e em Roma, Pina Picierno, vice-presidente do Parlamento Europeu, anunciou sua saída do Partido Democrático (PD). Em entrevista, a dirigente afirmou que “a casa dos riformistas não existe mais” e criticou a ambiguidade italiana diante do confronto entre democracias e autoritarismos.
Picierno disse que não se pode ser conivente ou ambíguo diante do que chamou de “fascismo putiniano” e dos extremismos que atravessam o debate público. Para ela, é hora de “trabalhar a algo de novo, para vencer as eleições”, mantendo, porém, que as razões fundadoras do partido continuam válidas, apesar do que define como um processo de snaturamento que afastou o partido do projeto que nasceu no Lingotto.
No plano europeu, Picierno aponta Kyiv como o centro onde se medem a credibilidade e o futuro das democracias. Ela criticou os “distinguos” e silêncios que marcam o debate italiano sobre a Ucrânia, e exigiu uma posição clara e sem hesitações contra a agressão de Moscou.
Fontes do Parlamento Europeu indicam que, após a saída do PD, Picierno está pronta para aderir ao grupo Renew Europe e ao Partido Democrata Europeu, liderado por Sandro Gozi. Nos corredores da Eurocâmara, a notícia já circulava há dias — explicando talvez a escassez de comentários públicos imediatos.
O gesto expõe tensões internas que vinham se acumulando. A vice-presidente europeia vinha, segundo interlocutores, há meses cobrando uma linha mais firme do partido — em particular em relação a Elly Schlein e à política externa. Sua última ação pública com os democratas foi no dia 1º de junho, quando leu o artigo 51 da Constituição sobre paridade de gênero na esplanada do Parlamento Europeu, ao lado do chefe de delegação do PD, Nicola Zingaretti, que ainda não comentou oficialmente a decisão.
Quem quebrou o silêncio foi Irene Tinagli, que afirmou estar “muito desapontada” e disse cultivar uma relação pessoal com Picierno, sem compreender plenamente suas razões. Tinagli defendeu que, nas votações do Parlamento Europeu, o PD sempre teve uma posição clara sobre Rússia e Ucrânia, mas reconheceu que pode haver outros elementos em jogo e chamou ao diálogo interno.
Na prática, a mudança de filiação abre duas frentes: a nacional, onde o movimento alimenta debates sobre identidade e rumo político do PD; e a europeia, sobretudo pela proximidade do processo de renovação das presidências do Parlamento Europeu, previsto para início de 2027. Embora sua vice-presidência não pareça ameaçada no curto prazo, analistas nos gabinetes acreditam que Picierno pode tentar a recondução apoiada agora pelo Renew.
Como repórter atento à arquitetura do poder, cabe observar que essa saída é mais do que um ato individual: é um tijolo deslocado na construção de um novo espaço político, uma tentativa de derrubar barreiras burocráticas e de refazer pontes entre correntes europeias. A decisão marca um momento em que os alicerces da lei e da diplomacia se mostram essenciais para quem pretende traduzir a palavra "riformista" em políticas públicas claras e coerentes.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos dessa mudança, que pode reformatar não só os mapas internos do PD como também a própria geografia das alianças pró-europeias em Bruxelas.