Referendo da justiça: Urnas reabrem no segundo dia, afluência recorde de 46,1% e Emilia-Romagna na liderança

Referendo da justiça reabre urnas no segundo dia; afluência recorde de 46,1% com Emilia-Romagna, Toscana e Lombardia liderando.

Referendo da justiça: Urnas reabrem no segundo dia, afluência recorde de 46,1% e Emilia-Romagna na liderança

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Referendo da justiça: Urnas reabrem no segundo dia, afluência recorde de 46,1% e Emilia-Romagna na liderança

Por Giuseppe Borgo — Urnas reabertas pela segunda jornada de votação: hoje os eleitores retornaram às seções eleitorais a partir das 7h e poderão votar até as 15h. O processo refere-se ao importante referendo da justiça que põe em jogo mudanças constitucionais substanciais. Relatórios parciais divulgados após o encerramento da noite anterior sinalizaram uma participação acima do esperado: uma afluência recorde de 46,1% – um índice incomum para plebiscitos deste porte.

Os dados regionais disponíveis mostram centros de mobilização que têm puxado a média nacional. Em relatos iniciais, a Emilia-Romagna aparecia no topo com 53,7% de eleitores comparecidos; números consolidados divulgados na sequência colocaram a região com cerca de 52,26% às 23h. A Toscana marcou 52,49% e a Lombardia 51,83% nas apurações parciais. Estes valores, ainda provisórios, são indicativos de um engajamento cívico inédito para um referendo sobre temas jurídicos.

O que está em jogo? O texto submetido ao eleitorado confirma ou rejeita a lei aprovada pelo Parlamento em outubro passado, que propõe modificações em sete artigos da Constituição. Em termos práticos, há três pontos-cardinal que os cidadãos estão chamados a decidir:

  • Separação de carreiras entre magistrados e procuradores;
  • Desdobramento do Consiglio Superiore della Magistratura (CSM), criando um conselho distinto para juízes e outro para procuradores;
  • Criação de uma Alta Corte Disciplinar responsável por infrações dentro da magistratura.

O texto do quesito, publicado na Gazzetta Ufficiale em 30 de outubro de 2025, pergunta se o eleitor aprova a revisão dos artigos constitucionais indicados (entre eles os artigos 87, 102, 104, 105, 106, 107 e 110, com os parágrafos especificados). Importante ressaltar: para que o resultado seja válido não há necessidade de quorum – qualquer nível de afluência torna o veredito referendário efetivo.

Do ponto de vista político, o pleito tem sido impulsionado pelo centro-direita, que há anos busca uma reforma do sistema judicial que, segundo seus defensores, restauraria equilíbrio entre investigação e julgamento e limitaria interferências institucionais. O campo do No manteve-se coeso e vocal, prometendo resistência frente a alterações que, na visão dos opositores, poderiam fragilizar a independência da magistratura. Na prática, o referendo se tornou um confronto simbólico sobre a arquitetura do poder judicial: uma espécie de obra onde cada decisão legislativa funciona como um tijolo que altera os alicerces do Estado de direito.

As reaberturas das urnas hoje seguem o calendário estabelecido: as seções funcionaram ontem das 7h às 23h, com retorno nesta manhã das 7h até o fechamento previsto para as 15h. A dinâmica em duas jornadas de votação foi pensada para ampliar oportunidades de participação, reduzindo barreiras logísticas e incentivando o comparecimento popular — um esforço visível quando se observa o salto na afluência.

Em campo, a campanha que precedeu a votação foi marcada por debates concentrados em três dimensões práticas: a clareza das atribuições entre juízes e procuradores; a composição e autonomia dos órgãos de autogoverno da magistratura, em particular o CSM; e os mecanismos disciplinares. A proposta de instituir uma Alta Corte Disciplinar foi apresentada como forma de profissionalizar e centralizar processos internos, mas também suscitou críticas sobre possível politização desses procedimentos.

Para o cidadão comum — advogados, trabalhadores, imigrantes e ítalo-descendentes espalhados pela Península e no exterior — as consequências não são abstratas. Alterações constitucionais sobre a organização judiciária influenciam prazos processuais, responsabilidades institucionais, e, em última instância, a confiança pública nas decisões dos tribunais. É a arquitetura do voto impactando o cotidiano: a construção de direitos, peça por peça, que define quem fiscaliza e quem julga.

Do lado operacional, as autoridades eleitorais monitoram a afluência e a regularidade das sessões. A comunicação pública salientou que o resultado será vinculante independentemente do comparecimento total, o que põe uma sobrecarga simbólica sobre cada voto: o peso da caneta de cada eleitor passa a ser determinante. Organizações civis chamaram à participação, argumentando que, mesmo diante das divergências políticas, a legitimação de mudanças constitucionais passa pela consulta direta aos cidadãos.

Como repórter com foco em política e cidadania, observo que este referendo funciona também como termômetro da mobilização política pós-eleitoral: partidos e movimentos testam capacidade de atração de eleitores além das eleições tradicionais. Em termos práticos, a participação elevada — caso confirmada nas apurações finais — será interpretada como um mandato de cidadania para o redesenho do sistema judicial, enquanto uma derrota do campo que propõe alterações poderia constituir um freio político e institucional à agenda de reformas.

Ao acompanhar as próximas horas, será relevante observar o mapa da afluência por demografia e por município. Ainda que as grandes regiões industriais e urbanas — como Lombardia e Toscana — tenham apresentado números elevados, a distribuição no interior e nas zonas rurais pode revelar padrões distintos de participação e, consequentemente, de representatividade nas escolhas tomadas.

Na prática, o cidadão que hoje vai às urnas participa de uma etapa decisiva da construção cívica: cada voto contribui para erguer ou preservar alicerces institucionais. A política, aqui, age como engenheiro de destinos coletivos — derrubar barreiras burocráticas e reconstruir procedimentos não é apenas um jargão, mas um desígnio que repercute nas vidas das pessoas.

Continuarei acompanhando a apuração e os desdobramentos institucionais. Atualizarei com dados oficiais assim que os números consolidados forem disponibilizados pelas autoridades eleitorais. Até lá, a mensagem a quem ainda não votou é clara: nas próximas horas as urnas permanecerão abertas — e a participação será o cimento que definirá o futuro dessa reforma.

Giuseppe Borgo é correspondente de política para a Espresso Italia, especializado em traduzir decisões de Roma para o impacto cotidiano dos cidadãos.