Renzi abre a Conte: 'Se vencer as primárias, eu o apoiarei' e critica ruptura do Terzo Polo
Renzi defende primárias: 'Se Conte vencer, eu o apoiarei' e critica a ruptura do Terzo Polo; reafirma apoio à Ucrânia e aposta em programas e garantismo.
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Renzi abre a Conte: 'Se vencer as primárias, eu o apoiarei' e critica ruptura do Terzo Polo
Em Milão, durante a apresentação de seu novo livro, Matteo Renzi olhou mais para o futuro do centro-esquerda do que para as rixas do passado. O líder do Italia Viva defendeu hoje a regra das primárias como mecanismo de legitimação da liderança: "Se há primárias, quem as vence representa todos. Eu faço de tudo para que não vença quem considero mais distante, mas se vencer, governa ele. Ponto".
Ao falar sobre os episódios recentes que marcaram o Parlamento — das demonstrações simbólicas em plenário às tensões pessoais entre atores políticos — Renzi propôs colocar a política em primeiro plano, reconstruindo pontes em vez de ampliar fissuras. "Nós somos os que levamos Mattarella ao Quirinale; eles — referindo-se ao Movimento 5 Stelle — levaram Salvini ao Viminale", disse, traçando um contraste entre escolhas institucionais e consequências de alianças, numa crítica direta ao passado que elege culpados sem oferecer soluções.
Para Renzi, a ideia de disputar a liderança por meio das primárias e aceitar a decisão do voto é um possível alicerce para a construção de uma aliança duradoura: "Quem ganha, governa". Essa regra prática, segundo ele, permitiria transformar divergências políticas em uma arquitetura institucional clara, evitando que preferências pessoais ou animosidades determinem o curso das coalizões.
No terreno da política externa, a mensagem foi categórica: é imprescindível manter o apoio à Ucrânia. "Se nós amanhã parássemos de ajudar militar e economicamente, não acabaria a guerra, mas acabaria a Ucrânia — e com ela a Europa. Não podemos aceitar isso", afirmou Renzi, posicionando-se pela continuidade do apoio internacional como defesa dos alicerces europeus.
Renzi não poupou críticas a quem, em sua avaliação, contribuiu para pulverizar alternativas centristas. A ruptura do Terzo Polo merece menção direta: "Se alguém não tivesse rompido o Terzo Polo do jeito mais insensato, hoje haveria um polo de centro capaz de exercer o papel de fio da balança e oferecer alternativa dentro do centro-esquerda". A investida, ainda sem citar nominalmente, mirou sobretudo em Carlo Calenda, acusando-o de preferir fraturas e julgamentos sumários a esforços de conciliação política: "É o populismo dos antipopulistas".
Mas, para Renzi, a disputa não pode se limitar a nomes e fotos de campanha. O núcleo, disse, são os programas. A próxima edição da Leopolda será palco para reafirmar as batalhas de Italia Viva em torno do garantismo e de reformas na justiça, com a participação de juristas e de cidadãos que enfrentaram processos judiciais — uma tentativa clara de reformular o debate público em termos institucionais e de direitos.
Sobre a presença em uma eventual coalizão, Renzi foi pragmático: não trata a participação como uma busca por poses. "Eu não preciso estar na foto com Bonelli", disse, ressaltando que o essencial é o conteúdo programático e a construção de consensos. A proposta é simples e direta: disputar as lideranças nas urnas internas, respeitar o resultado e colocar mãos à obra para a construção de direitos e a reconstrução de uma ponte entre as diferentes correntes políticas.
Como repórter atento ao peso da caneta e ao impacto das decisões de Roma na vida dos cidadãos, registro que a proposta de Renzi é uma tentativa pragmática de transformar dissenso em regra de convivência democrática. Resta saber se os demais atores do tabuleiro político aceitarão essa ponte e contribuirão para erguer, em conjunto, os alicerces de uma alternativa crível ao momento atual.

