Biennale di Venezia: Salvini defende autonomia da Fundação e critica posicionamento de Giuli

Salvini defende autonomia da Biennale e critica Giuli; MiC exige documentos sobre participação da Rússia e verifica compatibilidade com sanções.

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Biennale di Venezia: Salvini defende autonomia da Fundação e critica posicionamento de Giuli

Por Giuseppe Borgo — Em mais um capítulo da tensão entre decisões culturais e pressões políticas, o vice‑primeiro‑ministro e líder da Lega, Matteo Salvini, afirmou que o ministro da Cultura, Alessandro Giuli, erra ao interferir na organização da Biennale. Em declaração a jornalistas em Ponte Milvio, onde o partido instalou um dos 1.500 gazebos a favor do referendo, Salvini defendeu que a Fondazione La Biennale di Venezia é um "ente extraordinário e autônomo" e que assuntos como arte e esportes deveriam aproximar as pessoas, não ser palco de conflitos.

O episódio refere‑se às controvérsias em torno da participação da Rússia na 61ª Esposizione Internazionale d'Arte, programada para 2026, que gerou uma série de pedidos de esclarecimento do Ministério da Cultura (MiC) à organização da Biennale. Segundo nota oficial do ministério, o ministro Giuli conversou com a ministra da Cultura da Ucrânia, Tetyana Berezhna, reafirmando o compromisso do governo italiano com a proteção da identidade cultural ucraniana, duramente afetada pela invasão russa.

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Ao mesmo tempo, o MiC solicitou com urgência à Fundação cópia integral da correspondência mantida com as autoridades russas, além de informações detalhadas sobre as modalidades de montagem e gestão do Pavilhão russo em Veneza. Os pedidos buscam verificar a compatibilidade da participação anunciada com o atual regime de sanções internacionalmente em vigor.

“A Biennale é um alicerce cultural de alcance mundial”, disse Salvini, acrescentando que a arte, a música, o teatro e o cinema funcionam como pontes entre sociedades — imagem que evoca a nossa obrigação de construir direitos e derrubar barreiras burocráticas sem transformar cada evento cultural num campo de batalha ideológico. Para o vice‑premier, portanto, as ações da Fundação devem permanecer autônomas, salvo dúvidas formais sobre cumprimento de sanções.

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O caso inflamou o debate político. O Movimento 5 Stelle pediu que Giuli preste esclarecimentos em plenário. O líder do grupo no Senado, Luca Pirondini, considerou o episódio um "conflito ideológico indecoroso dentro da direita" que atinge uma das instituições culturais mais prestigiadas do mundo. Pirondini exige explicações sobre as verificações em curso, as investigações e o teor do diálogo entre o ministro italiano e a titular ucraniana.

Há ainda apelos por soluções que priorizem a preservação do patrimônio e a pacificação cultural. O presidente da Biennale, Pietrangelo Buttafuoco, já havia sugerido uma "Biennale da trégua" — proposta vista por alguns como caminho equilibrado para separar arte e geopolitica, consolidando a Biennale como espaço de diálogo e reconstrução cultural.

Na prática, o MiC atua agora como fiscal administrativo: requisitou documentos e evidências para clarificar os termos da participação nacional e assegurar que eventuais contratos ou acordos organizativos não violem as sanções aplicáveis. Resta à Fundação responder com prontidão, e ao Parlamento acompanhar com transparência: são os alicerces da confiança pública entre instituições, governo e sociedade civil.

Como repórter político, vejo a cena como a construção — às vezes lenta e barulhenta — de regras que protegem tanto a autonomia cultural quanto a responsabilidade internacional do Estado. A tensão entre preservar a liberdade criativa e cumprir obrigações diplomáticas e legais precisa ser tratada com precisão burocrática e sensibilidade cívica. O peso da caneta e das decisões que saem de Roma incide diretamente sobre o cotidiano de artistas, curadores e comunidades culturais que dependem da Biennale para existir no cenário global.

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