Salvini rejeita 'lockdown energético' e propõe congelamento da conta de energia para 2026
Salvini descarta lockdown energético e anuncia estudo para bloquear conta de energia em 2026, citando impacto em passageiros e empresas.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Salvini rejeita 'lockdown energético' e propõe congelamento da conta de energia para 2026
Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
O ministro das Infraestruturas e vice‑primeiro‑ministro, Matteo Salvini, foi categórico ao afastar a hipótese de um lockdown energético. Em entrevista à RTL 102.5, Salvini afirmou que "não estão em estudo nem racionamentos, nem rodízio de placas, nem o encerramento de fábricas, escolas ou ensino à distância. Voltar aos tempos da Covid me envergonha só de imaginar". A palavra lockdown remete para as duras medidas da pandemia, quando milhões de italianos ficaram confinados e foram introduzidos instrumentos como o Green Pass e a vacinação obrigatória em vários contextos.
As declarações chegam em meio a alertas públicos de outros ministros, como Guido Crosetto, que sugeriu a possibilidade de medidas rígidas já em maio, incluindo cortes no consumo doméstico, alterações na iluminação pública e até estímulos ao smart working. Salvini, no entanto, tratou de desarmar esse cenário alarmista, sustentando a necessidade de respostas calibradas que não penalizem direitos e rotinas civis.
Ao anunciar alternativas, o vice‑premier revelou que, junto com o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, está estudando um bloqueio do conto de energia para o ano de 2026. A proposta, segundo Salvini, visa aliviar famílias e empresas diante do aumento exponencial dos custos energéticos originados pelo conflito internacional e pelo encarecimento dos combustíveis.
Na frente dos transportes, Salvini chamou atenção para o impacto imediato do aumento do preço do combustível para a aviação. "O combustível para aviões dobrou em poucos dias. As companhias pedem aumento de tarifas também para garantir a continuidade territorial — penso em Sardenha, Sicília, Calábria e Friulí", afirmou. Salvini reconheceu que, até o momento, conseguiu segurar as pressões sobre os preços, mas advertiu que, se o conflito e o caro diesel e o aumento do querosene persistirem, será difícil manter esse equilíbrio.
O ministro também tocou no tema do Pacto de Estabilidade, sublinhando que a situação macroeconômica exige flexibilidade de Bruxelas. "Ou a União Europeia percebe a gravidade da situação, ou nós daremos o toque de despertar. Se for possível uma derrogação coletiva ao Pacto, ótimo. Caso contrário, poderemos agir por conta própria", disse, acrescentando que o governo está preparado para defender empresas e famílias diante do aumento dos custos energéticos, mesmo correndo o risco de sanções comunitárias.
Do ponto de vista cidadão, as propostas de Salvini representam uma tentativa de erguer alicerces de proteção social sem recorrer a medidas de choque que lembram o confinamento da pandemia. Resta ver com que instrumentos técnicos e jurídicos será materializado o bloqueio do conto de energia e como Bruxelas reagirá a possíveis desvios das regras fiscais.
Enquanto isso, a discussão entre ministros ilustra a tensão entre medidas imediatas de alívio e os limites impostos por normas europeias — uma verdadeira obra de engenharia política onde Roma tenta construir pontes para proteger lares, empresas e ilhas que dependem do transporte aéreo.