Salvini diz que Rússia não é ameaça: ‘A verdadeira preocupação é a imigração clandestina’

Salvini ao Tg3: Rússia não é ameaça; prioridade é a imigração clandestina. Comentários sobre preferências, Futuro Nazionale, Molteni e Ferrovie dello Stato.

Salvini diz que Rússia não é ameaça: ‘A verdadeira preocupação é a imigração clandestina’

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Salvini diz que Rússia não é ameaça: ‘A verdadeira preocupação é a imigração clandestina’

Em entrevista ao Tg3, o secretário da Lega e vice‑primeiro‑ministro, Matteo Salvini, traçou um quadro direto sobre prioridades políticas e de segurança, reafirmando posições já conhecidas e acrescentando nuances sobre a reforma da lei eleitoral, alianças parlamentares e nomeações públicas.

Ao ser questionado sobre a proposta de manter preferências na nova lei eleitoral, Salvini respondeu com naturalidade que isso não seria um problema para si: “Non abbiamo, al mercato, compensazioni da chiedere. Io sono sempre stato eletto sia in Europa sia nel Comune di Milano con le preferenze e quindi per quello che mi riguarda, non sarebbe un problema”. A declaração funciona como lembrete de sua origem política e de como confia na ligação direta com o eleitor — a construção do voto como um alicerce prático da representação.

Sobre o posicionamento de Futuro Nazionale, que tem votado contra o governo em matérias como o piano casa, Salvini confirmou que o líder local Roberto Vannacci “si chiama fuori”: “Por enquanto eles se excluem, continuando a votar contra o governo junto com PD e Movimento 5 Stelle. Para o momento, os meus desejos valem zero”, disse o vice‑premier, sinalizando uma tensão que ainda precisa passar pelos processos internos da coalizão.

Questionado sobre a queda da Lega nas sondagens, Salvini adotou um tom pragmático e até irônico: “Os inquéritos nos mostram em queda sempre, depois ganhamos eleições. Me alongam a vida”, afirmou, desenhando a diferença entre temperatura momentânea das pesquisas e a engenharia eleitoral necessária para manter o eleitorado.

Sobre a participação do subsecretário leghista dos Internos, Nicola Molteni, num encontro em Washington organizado por Marco Rubio, Salvini explicou que há “intervenções sobre o pacto de imigração” em comissão que dificultariam a saída imediata de Molteni. “Não penso que ele conseguirá ir para fora; se o governo mandar outra pessoa, não sei”, disse, abrindo a porta para decisões protocolares da representação do executivo.

Ao ser provocado sobre a Rússia, o vice‑primeiro‑ministro foi categórico: “Não. Penso que a ameaça que os cidadãos italianos enfrentam diariamente é a da imigração ilegal e clandestina, sobretudo de matriz extremista islâmica.” A declaração coloca a questão migratória como prioridade de segurança interna, deslocando o foco do debate para as fronteiras e centros urbanos.

Por fim, sobre a nomeação do novo administrador‑delegado do Grupo Ferrovie dello Stato, Salvini avaliou que Gianpiero Strisciuglio “foi um ótimo administrador da Trenitalia” e pode ser adequado para o cargo. Defendeu o devido processo: “Vivemos num país onde se é inocente até prova em contrário. Não se é culpado no início do processo; eventualmente, pode‑se ser culpado ao final”. A defesa da presunção de inocência aparece aqui como princípio jurídico e como alicerce para decisões administrativas.

Como repórter que observa a arquitetura das decisões públicas, há dois vetores claros nas falas de Salvini: a tentativa de consolidar a ligação direta com o eleitor através das preferências e a priorização da imigração clandestina como problema de segurança doméstica. Em termos de construção política, trata‑se de erguer pontes entre retórica, política interna e escolhas institucionais — enquanto os processos e debates se desenvolvem nos corredores do poder.