Nova investigação em Milão envolve Daniela Santanchè por bancarrota, falso em balanço e fraude ao Estado

Procuradoria de Milão amplia investigação contra Daniela Santanchè por bancarrota, falso em balanço e fraude ao Estado envolvendo Ki Group, Bioera e Visibilia.

Nova investigação em Milão envolve Daniela Santanchè por bancarrota, falso em balanço e fraude ao Estado

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Nova investigação em Milão envolve Daniela Santanchè por bancarrota, falso em balanço e fraude ao Estado

Por Giuseppe Borgo – Espresso Italia

A Procuradoria de Milão abriu um novo capítulo no expediente que envolve a deputada e ex-ministra do Turismo Daniela Santanchè. Segundo as diligências em fase de conclusão, a ex-titular do ministério é agora alvo de acusações mais amplas: bancarotta de três sociedades, falso em balanço e fraude agravada contra o Estado. O inquérito atinge também cerca de 15 outras pessoas, entre as quais figuram nomes como Fiorella Garnero (irmã de Santanchè), o ex-companheiro Giovanni Canio Mazzaro, Davide Mantegazza e Antonino Schemoz.

As investigações da Procura de Milão, conduzidas pelos procuradores Luigi Luzi e Guido Schininà, apontam para problemas que vão além do já conhecido «caso Visibilia». Em análise estão o colapso de empresas como Ki Group Holding, a falência da Bioera (declaração de insolvência em 2024) — da qual Santanchè teria sido presidente até 2021 — e a sociedade Umbria srl. Há indícios, segundo a acusação, de operações societárias destinadas a mascarar perdas e a transferir ramos d'empresa com avaliações contestadas.

Um dos pontos centrais levantados pelos investigadores é a presunta sobreavaliação de ativos: a transformação societária da Ki Group teria sido apresentada com uma valorização de cerca de 8 milhões de euros, enquanto a contabilidade apontava para passivos de aproximadamente 16 milhões e ativos em torno de 11 milhões. Além disso, a acusação aponta que dívidas na ordem de 3,3 milhões de euros não teriam sido devidamente saldadas por responsáveis ligados ao grupo.

Paralelamente, o inquérito retoma questões já ventiladas em anos anteriores: irregularidades nas demonstrações financeiras do grupo Visibilia — objeto de pedidos de indiciamento apresentados em janeiro de 2025 — e supostas anomalias na obtenção de benefícios como a cassa integrazione para 13 empregados durante a fase mais aguda da pandemia.

No plano político, a reação foi previsível: o Partido Democrático renovou pedidos públicos para que Santanchè se afaste de qualquer cargo público, mesmo sem condenação transitada em julgado. Do lado da maioria, figuras como o presidente do Senado, Ignazio La Russa, saíram em defesa da deputada, afirmando que não haveria motivos imediatos para renúncias, lembrando que algumas vertentes do processo ainda não chegaram a fase de julgamento.

Como repórter focado em cidadania e arquitetura das decisões públicas, observo que episódios desse tipo representam mais do que um teste judicial: são uma prova sobre o alicerce da confiança entre eleitos e sociedade. Quando a gestão empresarial se mistura com trajetórias políticas, o peso da caneta e a arquitetura do voto exigem transparência ampliada — derrubar barreiras burocráticas é parte do remédio, não do problema.

O fechamento do inquérito não é sinônimo de culpa, mas abre um caminho jurídico que pode culminar em processo. Para cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes que acompanham as decisões de Roma, a novidade reforça a necessidade de acompanhar não só as manchetes, mas as motivações e provas que sustentam cada acusação. A Procuradoria de Milão continuará a esclarecer os fatos; cabe à sociedade exigir que a investigação siga com rigor e que a política preserve os alicerces institucionais.

Atualização: a investigação segue em curso e espera-se que a notificação da conclusão das indagações seja formalizada nos próximos dias, com eventuais pedidos de renvio a julgamento para os indiciados.