Schlein acusa Meloni e diz: centrosinistra vencerá com qualquer lei eleitoral
Schlein acusa Meloni de mudar a lei eleitoral para proteger eleitos; diz que o centrosinistra vencerá sob qualquer regra e critica barreiras a novos candidatos.
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Schlein acusa Meloni e diz: centrosinistra vencerá com qualquer lei eleitoral
Elly Schlein, secretária do Partido Democrático, desencadeou um ataque direto à premiê Giorgia Meloni nesta quinta-feira, 8 de outubro, na Câmara, antes do voto final que aprovou a nova lei eleitoral. Schlein afirmou com firmeza que o centrosinistra será capaz de vencer sob qualquer modelo eleitoral e que a iniciativa do governo atende mais à preservação de cadeiras do que aos interesses dos eleitores.
Na intervenção, a líder democrata criticou a mudança das regras no meio do jogo, acusando o Executivo de usar o peso da caneta para redesenhar as normas a favor dos já no poder. "As regras da democracia não podem ser dobradas às necessidades de quem governa hoje", disse Schlein, lembrando que o poder é temporário e que, por isso, o governo decidiu alterar o sistema à sua própria medida.
Schlein apontou medidas concretas do novo texto eleitoral como sinais de uma arquitetura legislativa pensada para proteger os eleitos: o aumento expressivo do número de assinaturas exigidas para candidatos estreantes — de 40.000 para 372.000 — e a proibição de recorrer a assinaturas digitais. Para a secretária do PD, isso representa uma barreira prática que dificulta a entrada de novas vozes na política.
A dirigente também criticou a reintrodução dos capilistas bloqueados, que eliminou a possibilidade de escolha direta de representantes por preferência em muitas listas. "Voces rejeitaram os nossos emendamentos unitários para reintroduzir as preferências para todos", afirmou Schlein, ressaltando que a novidade privilegia listas fechadas e a seleção por cima, não pelos eleitores.
Outro ponto sensível citado pela parlamentar foi a retirada da paridade de gênero do texto. Schlein foi enfática: ter uma primeira-ministra não basta se essa chefe de governo não defender os direitos e a representatividade de todas as mulheres do país. "Não queremos só uma presidente mulher; queremos uma que lute por todas as mulheres", disse, usando a imagem da "construção de direitos" para sublinhar a necessidade de alicerces firmes na legislação.
Schlein também lembrou a contradição do governo: pouco antes, Meloni havia afirmado que a lei eleitoral era matéria parlamentar, e agora a premiê recorreu a três votos de confiança para aprovar o texto. "Onde ficou essa coerência?", questionou. A secretária ironizou a prioridade do Executivo: "Sejam honestos na próxima campanha; anunciem o slogan: 'primeiro as poltronas'".
Ao longo do discurso, a mensagem principal foi pragmática e estratégica: mesmo diante de mudanças destinadas a condicionar o jogo político, o centrosinistra confia na sua aliança progressista e afirma estar pronto para disputar e vencer as eleições que se aproximam — com qualquer legislação que seja adotada. Schlein concluiu apontando que a lei eleitoral deveria servir para representar os eleitores, não para proteger os eleitos, e pediu que a sociedade observe atentamente essa escolha institucional, como quem fiscaliza a construção de uma casa pública cujos alicerces definem o futuro comum.

