Sondagem mostra preferência pelo PCI (25,4%) e revela tensão sobre o papel do Antifascismo na Itália de hoje

Sondagem Youtrend/Sky Tg24: PCI lidera com 25,4%, DC 20,1%. Antifascismo é visto como elemento unificador por 33%, mas divide eleitores.

Sondagem mostra preferência pelo PCI (25,4%) e revela tensão sobre o papel do Antifascismo na Itália de hoje

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Sondagem mostra preferência pelo PCI (25,4%) e revela tensão sobre o papel do Antifascismo na Itália de hoje

Um levantamento recente encomendado pelo canal televisivo Sky Tg24 à empresa Youtrend desenhou um mapa surpreendente das lembranças políticas dos italianos: se os partidos da Primeira República ainda existissem, 25,4% dos eleitores hoje votariam no Partito Comunista Italiano (PCI), seguido pela Democrazia Cristiana (DC) com 20,1% e pelo Movimento Sociale Italiano (MSI) com 14,3%.

Considerando a parcela de indecisos e abstencionistas — 35% do total —, os números revelam uma recomposição inesperada das preferências se vistas fora do contexto histórico dos anos 1970 e 1980. No restante do ranking aparecem o Partito Socialista Italiano (PSI) com 11,9%, o Partito Liberale Italiano (PLI) com 9,5%, o Partito Radicale com 6,6%, o Partito Repubblicano com 5,4%, o Partito Socialista Democratico Italiano (PSDI) com 3,8% e a Democrazia Proletaria com 3%.

O estudo não fica no ranking partidário: investiga também os elementos culturais e identitários que teriam, ao longo dos 80 anos de República, unido os italianos. Para 33% dos entrevistados o laço mais forte é o Antifascismo, entendendo-se aqui a herança política da Resistenza. Mas a leitura muda conforme o eleitorado: entre os votantes do que hoje se identifica como centrodestra, apenas 18% consideram o Antifascismo o elemento unificador; no amplo campo do centro-esquerda e aliados — o chamado «campo largo» — essa cifra sobe para 59%.

Outros elementos apontados como símbolos de união nacional foram o «Bel Paese», ícone histórico, artístico e paisagístico, assinalado por 31% dos entrevistados; o «buon cibo» com 10%; a Chiesa católica com 8% e o calcio com 5%.

Sobre esquemas institucionais do passado, o levantamento fez uma pergunta hipotética: se os italianos de 2026 pudessem votar no referendo de 2 de junho de 1946, qual opção escolheriam? A resposta majoritária foi pela Repubblica, com 85,4% — percentual muito superior ao resultado histórico (54,3%). Quase 15% disseram preferir a volta da Monarchia.

Quanto à Costituzione, 69% a consideram ainda atual — índice que alcança 92% entre eleitores do campo largo — enquanto 22% a julgam ultrapassada (32% entre eleitores de centro-direita). Curiosamente, 45% dos entrevistados se mostraram favoráveis à eleição de uma nova Assembleia Constituente; entre os votantes do centro-direita essa vontade chega a 64%, contrapondo os 42% contrários (65% de oposição entre o campo largo).

Os dados traçam um retrato em que lembranças e símbolos funcionam como alicerces da cidadania, embora fissuras ideológicas persitam: o peso da caneta nas urnas de 1946 difere hoje conforme a bancada de lealdades políticas. A pesquisa de Youtrend para Sky Tg24 expõe como as memórias partidárias se transformam em pedra de toque para debates institucionais e identitários — e como a arquitetura do voto continua a moldar pontes e barreiras na sociedade italiana.