Trump ataca Giorgia Meloni: “Inaceitável, pensei que tivesse coragem” — Crosetto alerta que aliança não é silêncio

Trump acusa Meloni de "inaceitável" e diz ter-se enganado; líderes italianos reagem entre defesa da soberania e críticas à premiê.

Trump ataca Giorgia Meloni: “Inaceitável, pensei que tivesse coragem” — Crosetto alerta que aliança não é silêncio

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Trump ataca Giorgia Meloni: “Inaceitável, pensei que tivesse coragem” — Crosetto alerta que aliança não é silêncio

Por Giuseppe Borgo — Em mais um episódio que testa os alicerces da lei nas relações transatlânticas, o ex-presidente dos EUA Donald Trump lançou duras críticas contra a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, descrevendo seu posicionamento como “inaceitável” e confessando: “mi sbagliavo su di lei” — “pensei que tivesse coragem, estava enganado”.

Em entrevista ao Corriere della Sera, Trump acusou a premiê de ignorar riscos de segurança, afirmando que a Itália não se preocupa se o Iran obtiver uma arma nucleare e que, se pudesse, “a faria explodir a Itália em dois minutos”. Sobre a liderança de Roma, disse: “È lei che è inaccettabile”.

O ex-presidente também questionou a postura italiana em relação ao petróleo e ao apoio militar: “Piace il fatto che la vostra presidente non stia facendo nulla per ottenere il petrolio?” e insistiu que “a Itália não quer se envolver” e que espera que “a América faça o trabalho por ela”. Quando indagado sobre contatos recentes com a premiê, Trump respondeu negativamente: “No, não nos falamos há muito tempo”.

Em Roma, a resposta política foi imediata. A líder do Partido Democrático, Elly Schlein, subiu à tribuna de Montecitorio para defender a soberania nacional: “A Itália é um país livre e soberano e a nossa constituição é clara: a Itália repudia a guerra. Nenhum líder estrangeiro pode insultar ou ameaçar o nosso País e o nosso governo. Pedimos condenação unânime.”

Do lado dos críticos, o líder do M5S na Câmara, Riccardo Ricciardi, afirmou que a solidariedade deve ser dirigida à instituição da Presidência do Conselho, mas fez uma leitura dura da trajetória política: “Há quem cultive alianças entre direitas soberanistas que acabam por entrar em curto-circuito. Solidariedade à instituição, não necessariamente à chefe do governo.”

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, saiu em defesa de Meloni nas redes sociais: “Somos e permaneceremos sólidos apoiadores da unidade do Ocidente e aliados dos Estados Unidos, mas essa unidade se constrói com lealdade, respeito e franqueza mútua”. Tajani reiterou que a premiê age em defesa do interesse italiano e elogiou sua coragem em dizer o que pensa, inclusive sobre as declarações relativas a Papa Leone XIV.

O ministro da Defesa, Guido Crosetto, também comentou o episódio com uma mensagem clara: “Ser aliados não significa aceitar tudo em silêncio”. A frase, ecoando a ideia de que cooperação entre nações exige reciprocidade, sublinha o desgaste político gerado pelas críticas públicas.

O confronto verbal entre um ex-presidente americano e a liderança italiana reacende debates essenciais sobre soberania, responsabilidades de aliados e a construção diária de relações exteriores: quem assina as decisões que afetam vidas e que peso tem, afinal, a caneta que traça rotas diplomáticas? Em termos práticos, a disputa pode ampliar a sensação de insegurança entre eleitores e criar novas fricções entre Roma e Washington, justamente quando a arquitetura da segurança ocidental parece exigir pontes, não rompimentos.

Enquanto isso, em Brasília e nas embaixadas europeias, o incidente é acompanhado com atenção: entender os contornos desse embate é parte da nossa tarefa de traduzir o que se decide em Roma para a vida concreta dos cidadãos, imigrantes e comunidades ítalo-descendentes. Mantemos o foco na transparência das ações e na defesa dos interesses nacionais.