UE aprova regras históricas para proteção de cães e gatos: microchip e bancos de dados nacionais
Parlamento Europeu aprova regras para cães e gatos: microchip obrigatório, bancos de dados interoperáveis e proibições contra práticas cruéis.
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UE aprova regras históricas para proteção de cães e gatos: microchip e bancos de dados nacionais
Em votação ampla e definitiva em Estrasburgo, o Parlamento Europeu aprovou o pacote de normas que estabelece, pela primeira vez na UE, padrões comuns sobre criação, detenção, rastreabilidade, importação e gestão de cães e gatos. O resultado foi expressivo: 558 votos a favor, 35 contra e 52 abstenções. A decisão concretiza uma mudança na arquitetura do direito animal no bloco comunitário.
A proposta, apresentada pela Comissão em dezembro de 2023, determina que todos os animais de estimação, inclusive os de propriedade privada, sejam identificáveis por microchip e registrados em bancos de dados nacionais interoperáveis. Vendedores, criadores e abrigos terão 4 anos para adaptar-se; os proprietários que não comercializam animais dispõem de prazos mais longos: 10 anos para cães e 15 anos para gatos.
“Nosso recado é claro: um animal de estimação é um membro da família, não um objeto ou brinquedo”, afirmou a relatora e presidente da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Veronica Vrecionová. Do lado italiano, a eurodeputada Valentina Palmisano (M5S) ressaltou que a norma contribuirá para combater o problema do abandono, especialmente no Sul da Itália, onde o randagismo permanece uma questão de segurança pública e de respeito pelos animais.
Os números que acompanham a proposta ajudam a entender o alcance: cerca de 44% dos cidadãos da UE têm um animal de estimação e 74% desejam proteção reforçada. O comércio de cães e gatos movimenta aproximadamente 1,3 bilhão de euros por ano, e cerca de 60% das aquisições são feitas online, segundo dados da Comissão.
Além da identificação eletrônica e da criação de registros interoperáveis, o texto aprova uma série de proibições para coibir práticas comerciais que implicam maltrato. Entre as medidas estão o veto ao acasalamento entre progenitores e filhos ou entre irmãos e a proibição de selecionar animais para características exageradas que representem riscos significativos à saúde. Também ficam proibidas mutilações usadas para fins de exposições, mostras e competições.
O novo quadro normativo restringe ainda práticas como a amarradura contínua de animais — permitida apenas quando estritamente necessária para cuidados veterinários — e o uso de coleiras de estrangulamento ou com pontas sem mecanismos de segurança. No caso de importação de países extracomunitários, cães e gatos destinados à venda deverão receber microchip antes de entrar na União e ser registrados nas bases nacionais.
As regras representam um esforço para erguer os alicerces de uma política que articule bem-estar animal e segurança pública: uma espécie de ponte entre decisões de governança e o cotidiano das famílias europeias. Para aplicar a norma serão necessárias fiscalizações e investimentos nacionais nas infraestruturas digitais que tornam os bancos de dados verdadeiramente interoperáveis.
Como repórter atento às conexões entre Roma e a vida real dos cidadãos, observo que a mudança não é apenas técnica: carrega o peso da caneta que define responsabilidades — de vendedores, criadores e dos próprios governos — e impõe prazos para derrubar barreiras burocráticas. A transformação agora terá de ser traduzida em políticas concretas, energia administrativa e vigilância social para que os direitos anunciados se convertam em proteção real.