Gioele Dix reprisa amor e gerações em 'Eccoci qui' no Tnt di Treviglio

Gioele Dix traz 'Eccoci qui' ao Tnt di Treviglio: três histórias sobre o amor, do Feydeau à era dos apps, com Cardinali e Aricò.

Gioele Dix reprisa amor e gerações em 'Eccoci qui' no Tnt di Treviglio

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Gioele Dix reprisa amor e gerações em 'Eccoci qui' no Tnt di Treviglio

Com rigor dramático e leitura histórica das relações de casal, Gioele Dix apresenta Eccoci qui, espetáculo escrito e dirigido por ele e produzido pelo Centro Teatrale Bresciano. A montagem, que chega ao Tnt di Treviglio na sexta-feira, 10 de abril, propõe três quadros temporais sobre encontros amorosos — do erro romântico do século XIX até a ansiedade digital contemporânea.

A encenação reúne Valentina Cardinali e Francesco Aricò nos papéis dos casais protagonistas. A estrutura dramática segue um percurso cronológico: primeiro, um clássico do riso e do equívoco; depois, uma narrativa sobre o desgaste recém-casado; por fim, um retrato da era dos aplicativos e da construção de imagens pessoais on-line.

No ato inicial, Dix adapta o ato único de Georges Feydeau, Amour et piano (1883). A peça original, situada em Paris, é trabalhada aqui como uma pochade: mal-entendidos e identidades trocadas que, segundo o diretor, convergem para um encontro improvável que pode terminar melhor do que amores planejados. "É a comédia dos equívocos: ela espera um professor de piano, ele chega por engano acreditando tratar-se de uma atriz", explica Dix em entrevista.

O segundo segmento se inspira no conto "Here We Are", de Dorothy Parker (1931). A cena traz dois recém-casados em uma sala de espera ferroviária, onde discussões sobre ciúmes, ausências e pequenas humilhações anunciam o colapso de uma união nascida sob expectativas e contradições.

Já o terceiro quadro é assinado pelo próprio Gioele Dix e atualiza o tema do encontro para a cidade de Milano. A partir do recurso comum hoje — a busca por parceiro via app — a peça examina como cada indivíduo tem tempo para construir uma imagem do outro durante meses de conversas digitais. "Havia um estigma nos anúncios em jornal; hoje o algoritmo faz uma filtragem que pode economizar tempo", diz Dix, sintetizando a lógica contemporânea do encontro.

Quanto à fórmula para a durabilidade da relação, o diretor resume pragmático: um componente de acaso, critérios de seleção — que ele associa ao papel do algoritmo — e uma boa dose de pazienza (paciência). "Gli incontri sono sempre dettati dal caso", afirma, acrescentando que, ainda assim, "dobbiamo metterci del nostro" — a responsabilidade individual permanece.

Do ponto de vista jornalístico, a montagem é um exercício de raio-x do cotidiano: cruzamento de fontes literárias e observação social para mapear como as formas do afeto mudaram sem perder a incômoda permanência das inseguranças humanas. A montagem estreia em Treviglio como peça que convida à reflexão sobre o tempo das relações, sem concessões ao sentimentalismo.

Ficha técnica: Eccoci qui, texto e direção de Gioele Dix, com Valentina Cardinali e Francesco Aricò. Produção: Centro Teatrale Bresciano. Sessão: sexta-feira, 10 de abril, no Tnt di Treviglio.