Aumento das IST entre jovens na Europa e o perigo do chemsex: o que sabemos
IST em alta na Europa: jovens mais afetados e o papel do chemsex no aumento dos riscos. Acesso a testes e políticas públicas insuficientes.
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Aumento das IST entre jovens na Europa e o perigo do chemsex: o que sabemos
Há uma fotografia silenciosa do continente que revela mais do que números: revela rotas de vulnerabilidade que se abrem entre os mais jovens. Um novo relatório do Centro Europeu para a Prevenção e o Controlo das Doenças (ECDC) mostra que as infecções sexualmente transmissíveis não estão recuando — pelo contrário, continuam a crescer, como a maré que lentamente avança sobre a praia.
Segundo o documento, globalmente há mais de um milhão de novas diagnósticos de IST por dia. Nos últimos 10 anos, os casos de sífilis, gonorreia e clamídia na Europa aumentaram respectivamente cerca de 100%, 321% e 13%, com uma concentração maior entre os jovens. A faixa etária mais afetada é a dos 20 aos 34 anos, mas sinais alarmantes surgem também entre os 15 e 19 anos. No Lazio, por exemplo, mais de 10% das novas diagnósticos de HIV em 2023 ocorreram em pessoas com menos de 25 anos.
O relatório oferece a primeira visão ampla sobre como os países europeus respondem a essa onda. Dos 29 países que forneceram dados, 18 dispõem de uma estratégia ou política nacional para prevenir e controlar as IST, muitas vezes direcionada às populações mais atingidas, como os jovens de 15 a 24 anos e os homens que fazem sexo com homens. No entanto, o ECDC nota que muitas dessas estratégias estão desatualizadas: apenas 10 países as revisaram nos últimos cinco anos, o que significa que grande parte dos planos não incorpora as mudanças comportamentais pós-pandemia nem as tendências epidemiológicas mais recentes.
Um nó crítico é o acesso aos testes. Em 13 dos 29 países, as pessoas ainda precisam arcar com custos diretos para testes básicos — um obstáculo que afasta sobretudo os mais jovens. Questões de privacidade agravam o quadro: em 7 países é exigido consentimento dos pais para menores de 18 anos, o que pode afastar adolescentes sexualmente ativos dos serviços de saúde. A recolha de dados também é lacunosa: poucos países monitoram de forma sistemática a cobertura das ações preventivas e dos tratamentos. Em relação à sífilis congênita, por exemplo, apenas quatro países apresentaram dados sobre a percentagem de mulheres grávidas submetidas ao rastreio.
Outro ponto sensível é a prevenção vacinal. Embora muitos países tenham políticas para vacinação contra a Mpox, a cobertura permanece baixa, ampliando lacunas de proteção comunitária.
Entre os comportamentos que favorecem a propagação das IST, o relatório e especialistas destacam o fenômeno conhecido como chemsex — o uso de drogas para intensificar encontros sexuais. O chemsex associa-se a práticas de maior risco, a suspensão de barreiras de proteção e a relações sexuais mais longas e numerosas, criando um terreno fértil para a transmissão de infeções. Para os jovens, essa combinação entre drogas, redes sociais e acesso irregular a serviços de testagem forma uma tempestade que exige respostas integradas.
Como observador atento das estações da vida, vejo aqui uma chamada para plantar hábitos que protejam a colheita do bem-estar: educação sexual atualizada, testes acessíveis e confidenciais, vacinas amplamente oferecidas e estratégias nacionais renovadas que acompanhem o ritmo das mudanças sociais. Em linguagem prática: tornar os testes gratuitos e confidenciais para jovens, facilitar o rastreio em grávidas, atualizar planos nacionais e investir em campanhas que falem com a linguagem real dos jovens — sem moralismos, com cuidado e clareza.
As cifras não são apenas estatística; são a respiração da cidade, são jovens que merecem informação clara e serviços que os recebam sem barreiras. Sem isso, a maré continuará a subir e muitos ficarão à margem da proteção.