Dor crônica: Siaarti vê caminho cada vez mais multidisciplinar e aposta na IA
No congresso Siaarti, especialistas destacam abordagem multidisciplinar e papel da IA no combate à dor crônica e na personalização das terapias.
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Dor crônica: Siaarti vê caminho cada vez mais multidisciplinar e aposta na IA
Por Alessandro Vittorio Romano — Em Riccione, durante o 25º congresso Acd organizzato da Siaarti, emerge com força a ideia de que a luta contra a dor crônica é hoje uma paisagem em cultivo coletivo: laboratório de saberes, rotas compartilhadas e tecnologia que chega como chuva benfazeja sobre um terreno antigo. Silvia Natoli, responsável pela Área cultural de dor e cuidados paliativos da Siaarti (Società italiana di anestesia, analgesia, rianimazione e terapia intensiva), sublinha que "um approccio multidisciplinare é um dos fios condutores" do encontro, que reúne mais de 400 anestesiologistas entre 8 e 10 de abril.
Natoli fala da "contaminação dos saberes": quando anestesiologistas, clínicos, psicólogos, fisioterapeutas e especialistas em tecnologia sentam-se à mesma mesa, o tratamento deixa de ser um caminho solitário e transforma-se numa trilha onde cada passo é ajustado à paisagem do paciente. Temas como inteligência artificial, tecnologias novas e consolidadas, medicina de gênero e farmacologia foram abordados com um tom mais provocante do que o habitual — porque as estações da prática médica exigem perguntas novas.
Na Itália, quase 10 milhões de pessoas convivem com a dor crônica. Ainda assim, Natoli aponta um problema antigo como uma sombra que precisa ser iluminada: o acesso às terapias permanece desomogeneo. Apesar da Lei 38 de 2010, a aplicação plena é incompleta e, muitas vezes, difícil para o cidadão acessar a terapia da dor e os cuidados paliativos. "Os centros dedicados nem sempre conseguem responder às necessidades do território", observa, e essa desconexão entre inovação tecnológica e rede assistencial pode levar ao risco real de undertrattamento, deixando pacientes sem respostas adequadas e gerando um impacto social significativo.
A inteligência artificial surge no congresso como um aliado promissor: Natoli realça seu papel em compreender trajetórias clínicas e orientar terapias individualizadas. Ferramentas baseadas em algoritmos podem aprimorar a precisão terapêutica e apoiar o diagnóstico, inclusive por meio da análise de voz e da mimica facial, sinais que traduzem a respiração íntima do sofrimento. Caminhamos, diz-se, rumo a uma medicina cada vez mais personalizada — um mapa traçado não apenas por dados, mas pela escuta atenta do corpo e da história.
Como um jardineiro que observa o ritmo das estações, a comunidade médica está chamada a semear percursos compartilhados entre especialistas, a cultivar redes locais que respondam às estações do território e a cuidar para que a inovação não floresça apenas em ilhas. A «colheita de hábitos» que promovemos hoje — formação multidisciplinar, integração tecnológica e políticas de acesso — determinará a qualidade de vida de milhões.
O congresso Acd Siaarti, com sua mistura de desafios técnicos e perguntas humanas, reforça que o combate à dor crônica não é apenas uma prática clínica, mas um gesto civil: articular saberes, democratizar acesso e usar a tecnologia com sensibilidade, para que cada paciente encontre respostas à sua medida.