Maior escolaridade reduz pela metade o risco cardiovascular em idosos, mostra estudo PreVasc

Estudo PreVasc mostra que maior escolaridade reduz pela metade o risco cardiovascular em idosos; hipertensão, dislipidemia e fração de ejeção comprometida em destaque.

Maior escolaridade reduz pela metade o risco cardiovascular em idosos, mostra estudo PreVasc

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Maior escolaridade reduz pela metade o risco cardiovascular em idosos, mostra estudo PreVasc

Assinado por Alessandro Vittorio Romano — Há uma paisagem silenciosa que molda a saúde do coração dos mais velhos: não são apenas os anos que marcam o pulso, nem apenas os hábitos do dia a dia. O nível de instrução surge, segundo dados recentes, como uma sombra protetora que pode reduzir em cerca de metade o risco cardiovascular em adultos acima dos 65 anos.

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Os números vêm do projeto PreVasc (Prevenção Cardiovascular), o primeiro grande estudo de screening cardiovascular em comunidade, cujos resultados serão apresentados na Câmara dos Deputados no dia 2 de outubro. Entre as 2.600 pessoas avaliadas, com idade média de 74,7 anos, as evidências mostram que as doenças cardíacas estão presentes em 38,6% daqueles com menor nível educacional, contra apenas 16% dos que têm escolaridade mais elevada.

Ao caminhar por esses dados, percebe-se a colheita de hábitos e oportunidades: no conjunto da amostra, 43% apresentavam hipertensão, 47% tinham dislipidemia (alterações de colesterol e triglicerídeos), 7% eram portadores de diabetes, 14% fumavam e 21% eram ex-fumantes. Esses números desenham um mapa onde o conhecimento e o contexto social se entrelaçam com a saúde do músculo cardíaco.

Entre os achados mais sensíveis do exame está a funcionalidade do coração: 241 pessoas — correspondendo a 9,2% do grupo — apresentaram fração de ejeção inferior a 50%, um indicador de redução da capacidade de bombeamento do coração; em três casos o valor caiu abaixo de 30%, sinalizando comprometimento severo. O rastreio identificou também doenças valvulares de grau moderado ou grave, com estenose aórtica em 1,07% dos avaliados e insuficiência mitral em 4,69% — além de casos de insuficiência tricúspide detectados.

Como observador do cotidiano italiano, gosto de pensar que essa relação entre educação e coração é uma respiração da cidade traduzida em estatística: quem tem acesso a informação, recursos e redes de cuidado costuma colher frutos mais saudáveis. Não é um determinismo frio — é uma chamada para ação: políticas de saúde pública, programas de prevenção na comunidade e iniciativas de alfabetização em saúde podem ser sementes que alteram a paisagem do envelhecimento.

O PreVasc confirma algo que já intuíamos: o envelhecimento é um mosaico onde educação, ambiente e escolhas se misturam. O estudo não promete soluções mágicas, mas devolve um mapa prático — e humano — para cuidar do coração na fase em que o tempo interno do corpo pede mais atenção. No dia 2 de outubro, esses dados serão compartilhados publicamente, e cabe à sociedade transformar estatística em cuidado disponível.

Em termos práticos, esses números reforçam o valor do screening comunitário e da promoção de hábitos saudáveis: monitoramento da pressão, controle do colesterol, programas para cessação do tabagismo e ações dirigidas a populações com menor escolaridade podem reduzir de forma concreta o ônus das doenças cardiovasculares na terceira idade. É a colheita possível quando o saber se traduz em saúde.

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