HIV: inovações long‑acting (VH‑184 e VH‑499) prometem assegurar adesão à terapia, diz Di Perri (UniTo)
Long acting para HIV (VH‑184 e VH‑499) podem garantir adesão semestral à terapia, diz Giovanni Di Perri após resultados de fase 1 na CROI 2026.
RESUMO ✦
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HIV: inovações long‑acting (VH‑184 e VH‑499) prometem assegurar adesão à terapia, diz Di Perri (UniTo)
Por Alessandro Vittorio Romano — A proposta de tratar o HIV como um ciclo sazonal, em vez de um ritual diário, ganha forma com as formulações long acting que prometem transformar a rotina do paciente e a logística do sistema de saúde. Em uma fala que mistura pragmatismo clínico e visão de cuidado, o professor Giovanni Di Perri, diretor da Clínica de Doenças Infecciosas da Universidade de Turim, avaliou os primeiros dados apresentados na CROI 2026 e apontou como essas abordagens podem garantir a verdadeira aderência à terapia.
"Administrar o medicamento duas vezes por ano é um bom modo de investir o dinheiro público", afirma Di Perri. Segundo ele, injetar um fármaco que permanece no organismo a níveis eficazes por longos períodos elimina o ritual diário de tomar comprimidos e o lembrete constante da infecção. "Poder ver o paciente uma ou duas vezes por ano reduz o risco de que a adesão e a vida cotidiana se tornem um problema. E é uma maneira segura de garantir que o paciente esteja aderente, já que a administração acontece sob supervisão médica".
Na conferência, foram divulgados os primeiros resultados de fase 1 para dois candidatos long acting com ambição "twice‑yearly" (uma injeção a cada seis meses): VH‑184, um inibidor de integrase de terceira geração, e VH‑499, um inibidor do capsídeo.
Para o VH‑184, o estudo em adultos sem HIV avaliou uma única administração, subcutânea ou intramuscular, em duas formulações. Ambas exibiram perfil de longa atuação e uma delas manteve níveis estáveis do fármaco até o sétimo mês — um sinal consistente com a hipótese de coberturas semestrais. A tolerabilidade foi, de modo geral, favorável. Ensaios in vitro mostraram ainda que o VH‑184 apresenta potência aumentada e um perfil de resistência mais robusto em comparação com o bictegravir, mantendo atividade contra uma ampla gama de cepas resistentes, incluindo aquelas com múltiplas substituições.
Di Perri ressalta o valor clínico dessa característica: "O VH‑184 também parece capaz de contornar resistências acumuladas contra compostos mais antigos da mesma classe". Ainda assim, ele lembra que a verdadeira prova será avaliar a distância entre as concentrações alcançadas e a capacidade do vírus de replicar em pessoas já infectadas: "Do ponto de vista farmacocinético, os dados de fase 1 são atraentes e interessantes, mas serão necessárias séries de ensaios clínicos em sujeitos com infecção".
No caso do VH‑499, o estudo de fase 1 em adultos sem HIV testou uma única injeção intramuscular ou subcutânea em doses variando entre 100 e 1.200 mg. Ambas as vias mantiveram níveis estáveis por um período prolongado, sustentando a possibilidade de intervalos de até seis meses. Novamente, Di Perri pede cautela: são resultados iniciais promissores, porém é cedo para afirmar eficácia clínica em pessoas com HIV.
Como quem observa a respiração da cidade e o ritmo das estações, vejo nessa mudança um convite: trocar o calendário do comprimido pela colheita de hábitos que priorizam a vida. Se comprovados, os long acting poderão reduzir estigmas cotidianos, simplificar o acompanhamento clínico e otimizar recursos públicos — uma pequena revolução que nasce do encontro entre ciência, cuidado e o tempo interior do corpo.


