IA na saúde: San Raffaele (Milão) vê suporte para melhores serviços e redução de custos

Como a inteligência artificial e a robótica ajudam o San Raffaele (Milão) a melhorar serviços, humanizar o cuidado e reduzir custos.

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IA na saúde: San Raffaele (Milão) vê suporte para melhores serviços e redução de custos

Por Alessandro Vittorio Romano — Em um diálogo que mistura prática clínica e poesia dos hábitos cotidianos, Federico Esposti, diretor estratégico do Irccs Ospedale San Raffaele de Milão, traçou um retrato claro do papel da inteligência artificial como apoio para tornar o sistema de saúde mais eficiente e mais humano. Ao intervir no congresso 'Espresso Italia Q&A - Salute, prevenzione e risorse: le sfide', em Roma, Esposti fez uma comparação que mexe com a nossa percepção do tempo e da produtividade: enquanto a tecnologia de consumo dobrou ganhos nos últimos 40 anos, a saúde registrou um aumento de apenas 6%.

“Isso significa que a saúde nunca realmente se colocou no ritmo dos tempos — observou Esposti. Não se aproveitou plenamente das tecnologias para oferecer aos cidadãos prestazioni sanitarie migliori reduzindo a despesa.” Para ele, a inteligência artificial não surge como substituta do médico, mas como um verdadeiro companion: um assistente que acelera a coleta de dados anamnésticos, organiza a história clínica prévia e permite que o profissional olhe no rosto do paciente em vez de se perder no teclado.

Essa mudança, explica Esposti, é em sua essência um investimento na humanização dos cuidados. Quando o computador escuta, transcreve e estrutura informações, o tempo do encontro médico se transforma — é como devolver ao profissional a respiração lenta da consulta e ao paciente a atenção integral que deseja.

Do ponto de vista operacional, a robótica complementa a inteligência ao lidar com tarefas de baixo valor agregado, mas alto custo logístico. Esposti descreve o cotidiano do San Raffaele: “são cerca de 5 mil transportes por dia entre quartos, serviços, radiologia, fisioterapia e academias de reabilitação”. Movimentar pessoas e materiais dentro do hospital consome recursos que podem ser otimizados pela tecnologia — a AI planeja, a robótica movimenta e o processo se alinha ao fluxo do cuidado.

Outra frente é a capacidade da inteligência artificial de extrair dados para melhorar serviços e abrir portas para a pesquisa. A Itália, segundo Esposti, perde competitividade em ensaios clínicos frente a outros países europeus. “Países como a Espanha já consideram a AI um pilar de sustentabilidade do sistema”, afirmou. No San Raffaele, a tecnologia já é usada para apoiar o recrutamento de pacientes para clinical trials, identificando pacientes elegíveis, cruzando critérios de inclusão e acelerando o match entre cidadão e tratamento inovador.

O quadro que Esposti desenha é de uma colheita de hábitos: tecnologias que reaprendem a hospitalidade do cuidado, tornando processos mais leves e a assistência mais centrada. Não se trata de um inverno tecnológico que esfria a relação humana, mas de um despertar que redistribui o calor da atenção para onde importa — o encontro entre médico e paciente. Em suma, a inteligência artificial e a robótica prometem transformar o hospital numa paisagem mais respirável, eficiente e sustentável.