Grassi (Fism): maior demanda por saúde pode elevar gastos se o acesso gratuito gerar demandas inadequadas
Roberto Grassi (Fism) alerta: maior demanda por saúde e acesso gratuito podem elevar custos se provocarem procura inadequada.
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Grassi (Fism): maior demanda por saúde pode elevar gastos se o acesso gratuito gerar demandas inadequadas
Em um momento em que a saúde pública é como um terreno fértil — cheio de expectativas, mas que precisa ser cultivado com cuidado — Roberto Grassi, presidente da Fundação Fism, lembrou uma verdade simples e urgente: o aumento do acesso não é, por si só, sinônimo de sustentabilidade. Participando do congresso 'Espresso Italia Q&A - Salute, prevenzione e risorse: le sfide', realizado em Roma, Grassi destacou que a combinação entre maior demanda por saúde e acesso gratuito às consultas traz, ao mesmo tempo, um aspecto positivo e um risco.
Segundo Grassi, o aspecto positivo é claro: ampliar o acesso é colher direitos e bem-estar para a coletividade. No entanto, quando esse acesso resulta em uma procura inadequada — exames desnecessários, consultas repetidas ou tratamentos sem indicação precisa — a consequência imediata é o aumento da despesa. Ele ressaltou ainda que hoje diagnósticos e tratamentos têm custo bem mais elevado do que em etapas anteriores, ampliando a pressão sobre os cofres públicos e privados.
Essa observação não é apenas técnica; traz à tona a respiração lenta e constante do sistema de saúde, que precisa encontrar equilíbrio entre generosidade e prudência. Como quem planta para a próxima estação, as políticas de saúde devem harmonizar o direito ao cuidado com a responsabilidade na alocação de recursos. Grassi usou o microfone do encontro para apontar que sem filtros inteligentes — triagem adequada, fortalecimento da atenção primária, campanhas de prevenção — a política do "acesso universal" corre o risco de transformar esperança em custo exponencial.
Do ponto de vista da prevenção, a mensagem é igualmente clara: investir em medidas que reduzam a necessidade de intervenções de maior custo é como proteger as raízes durante uma tempestade. Programas de educação em saúde, rastreamento correto e uso racional de exames são ferramentas que, canalizadas com sensibilidade, podem reduzir a demanda inadequada e preservar os recursos para quem realmente precisa.
Grassi trouxe essa reflexão num cenário em que a sociedade busca respostas para a equação entre direitos, eficácia e sustentabilidade. Mais do que um alerta financeiro, é uma chamada para repensar processos, priorizar a qualidade da demanda e promover uma cultura de cuidado que valorize prevenção e proporcionalidade.
Como observador atento do cotidiano e dos ciclos que regem o bem-estar, fico com a imagem de uma cidade que respira: precisamos ensinar o público a respirar de forma inteligente, para que o sistema de saúde — como a cidade — mantenha seu ritmo de vida sem se sufocar. A voz de Grassi nos lembra que a colheita de saúde depende tanto do acesso quanto da sabedoria de uso.