Mais de 4 milhões de idosos não-autossuficientes na Itália; gastos públicos com cuidado diminuem
Mais de 4 milhões de idosos não-autossuficientes na Itália; gastos públicos com Long Term Care caem para 1,18% do PIB, aumentando o peso sobre famílias.
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Mais de 4 milhões de idosos não-autossuficientes na Itália; gastos públicos com cuidado diminuem
Por Alessandro Vittorio Romano — A Itália está diante de uma colheita silenciosa: mais de quatro milhões de pessoas com mais de 65 anos vivem hoje em condição de não-autossuficiência, afetadas por doenças como Parkinson, Alzheimer ou pelas sequelas de um AVC. É um mapa de fragilidades que cresce enquanto a respiração das políticas públicas parece afinar: os gastos públicos com cuidados de longa duração (Long Term Care) caíram para 1,18% do PIB em 2024, ante 1,43% em 2020, segundo o Relatório Cergas-Bocconi apresentado em Milão.
O documento desenha um país onde a assistência formal não consegue acompanhar o ritmo das necessidades. Os leitos em residências especializadas permanecem estáveis, e há um movimento de aumento das horas de assistência domiciliar integrada. No entanto, a média de horas por paciente diminuiu: eram 18 horas em 2019 e caíram para 14 em 2023, indicando um cuidado mais fragmentado e menos contínuo.
Enquanto isso, mais de um milhão de cuidadoras e cuidadores informais — as conhecidas badantes — se mantêm como pilar imprescindível da rede de cuidado familiar. Ao mesmo tempo, as indennità di accompagnamento (indenizações de acompanhamento) representam a maior parcela da despesa pública em Long Term Care, cerca de 52%, mas boa parte desses recursos não se converte em serviços inovadores ou em estruturas de suporte que aliviem verdadeiramente as famílias.
O efeito prático é sentido nas carteiras e nos lares: as famílias assumem uma fatia crescente do peso financeiro e emocional, diante de mensalidades em residências que disparam e de uma oferta de vagas que permanece insuficiente. O plano nacional para a não-autossuficiência aparece no horizonte como promessa — ainda que os seus efeitos concretos sejam esperados a médio prazo.
Há também um traço geográfico nessa paisagem: disparidades territoriais dificultam um acesso homogêneo aos serviços, fazendo com que o lugar onde se vive determine, muitas vezes, a qualidade da velhice. A cidade e a região respiram de modos diferentes, e essa respiração desigual se traduz em cuidados que variam de norte a sul.
Como observador que liga clima, cidade e bem-estar, vejo essa transformação como o inverno da alma coletiva que exige uma nova sementeira de políticas — mais horas de cuidado bem distribuídas, serviços domiciliários fortalecidos, formação e reconhecimento dos cuidadores, e modelos de financiamento que não deixem as famílias sozinhas na colheita. A Itália tem a oportunidade de cultivar uma paisagem de envelhecimento mais digna; isso passa por transformar as reservas financeiras atuais em serviços e por acolher o cuidado como um bem comum.
Enquanto aguardamos os efeitos do plano nacional, a urgência permanece: fortalecer a rede de assistências, modernizar o investimento público e preservar a dignidade de quem envelhece. Afinal, a qualidade da velhice é também o reflexo da saúde da nossa respiração coletiva.