Menos MDMA (ecstasy) e avanço da cocaína e chetamina: estudo em águas residuais revela novo mapa de consumo na Europa
Estudo europeu em águas residuais mostra queda do MDMA e aumento da cocaína e chetamina em 115 cidades. Impactos na saúde pública e nas cidades.
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Menos MDMA (ecstasy) e avanço da cocaína e chetamina: estudo em águas residuais revela novo mapa de consumo na Europa
BOLZANO, 18 de março de 2026 — Assisto, como quem observa a respiração das cidades, ao mapa fluido de hábitos que deixa rastros nas nossas redes: um amplo estudo europeu de análise de águas residuais aponta para uma mudança nítida nos consumos de drogas por toda a Europa.
O maior projeto do continente nessa área, intitulado "Wastewater analysis and drugs — a European multi-city study", conduzido pelo grupo SCORE em colaboração com a Agência da União Europeia para as Drogas (EMCDDA), com sede em Lisboa, examinou amostras diárias de águas residuais durante uma semana entre março e maio de 2025. Foram analisadas 115 cidades em 25 países (23 Estados‑membros da UE, além da Turquia e da Noruega), com dados que representam cerca de 72 milhões de habitantes.
O levantamento procurou sinais de cinco estimulantes — anfetamina, cocaína, metanfetamina, MDMA (conhecida como ecstasy) e chetamina — além de vestígios de cannabis. O que emerge é uma linha clara: um "queda acentuada" no consumo de MDMA (ecstasy) contraposta a um "forte aumento" nos resíduos de cocaína e chetamina.
No detalhamento regional, a diminuição do consumo de MDMA foi mais marcada na Alemanha, Áustria e Eslovênia. Por outro lado, os maiores níveis de resíduos de MDMA foram detectados na Bélgica, Espanha, Países Baixos e, novamente, na Eslovênia. A pesquisa incluiu duas cidades italianas — Milão e Bolzano — integrando o retrato europeu.
Interpretar esses números é como acompanhar a colheita de hábitos de uma temporada: as mudanças podem refletir variáveis diversas — alterações na oferta, preferências culturais, festas e eventos, ou mesmo modificações na pureza e no corte das substâncias. O método de análise de águas residuais é uma lente sensível: capta tendências em escala populacional sem depender apenas de autodeclarações ou relatórios clínicos, traduzindo a circulação de substâncias em sinais químicos que viajam com a água pelas veias urbanas.
Do ponto de vista social e de saúde pública, essas flutuações exigem atenção. O aumento de cocaína e chetamina pode implicar desafios para serviços de redução de danos e para políticas preventivas, enquanto a queda do MDMA nos países citados pode sinalizar uma mudança nas preferências de consumo ou na disponibilidade de matéria‑prima.
Como observador atento das pequenas mudanças que moldam o cotidiano, vejo neste relatório a confirmação de que o comportamento coletivo tem ritmos próprios — às vezes um despertar, às vezes um recuo — e que a cidade, como um organismo, deixa pistas sobre seu estado de saúde. Monitorar esses sinais é cuidar da paisagem humana: entender a origem dos fluxos, oferecer respostas de cuidado e construir políticas que acompanhem essa verdadeira respiração urbana.
O estudo do SCORE e da EMCDDA confirma o papel crescente da análise de águas residuais como ferramenta epidemiológica e alerta para a necessidade de estratégias adaptativas em saúde pública diante de padrões de consumo que mudam como as estações.
Assinado por Alessandro Vittorio Romano, para Espresso Italia — uma leitura sensível sobre como o ambiente informa o nosso bem‑estar.


