Neurocirurgia awake com hipnose: lesão no córtex motor do pé removida no Neuromed

Neurocirurgia awake com hipnose no Neuromed preserva função motora do pé e acelera recuperação com menor uso de anestésicos.

Neurocirurgia awake com hipnose: lesão no córtex motor do pé removida no Neuromed

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Neurocirurgia awake com hipnose: lesão no córtex motor do pé removida no Neuromed

Sou Alessandro Vittorio Romano e trago uma notícia que mistura precisão cirúrgica e sensibilidade humana. No IRCCS Neuromed de Pozzilli foi realizada uma neurocirurgia awake associada à hipnose clínica para remover uma lesão cerebral localizada numa área motora responsável pelo movimento do pé. A intervenção uniu técnica, cuidado e uma escuta atenta do tempo interno do corpo, preservando funções essenciais e acelerando a recuperação.

A chamada técnica 'awake' — cirurgia com o paciente acordado — é indicada quando a lesão está próxima das chamadas áreas nobres: regiões que controlam movimento, linguagem, memória ou reconhecimento. Nessas situações, o paciente participa ativamente durante fases específicas do procedimento, executando tarefas simples que permitem o monitoramento motor em tempo real e orientam o gesto do neurocirurgião, garantindo margem de segurança funcional.

Neste caso, a lesão estava em uma área motora ligada ao movimento do pé. Durante a operação, o paciente foi orientado a fazer movimentos dirigidos do membro inferior, o que permitiu manter um monitoramento contínuo das vias motoras e preservar a função ao final do procedimento. Paralelamente, as técnicas de hipnose clínica foram utilizadas para modular o estado paciente: promovendo foco, reduzindo a ansiedade e facilitando a colaboração nas fases exigentes, e oferecendo relaxamento profundo nas etapas em que o paciente precisava permanecer mais passivo.

Essa integração entre técnica operatória e abordagem psicológica trouxe vantagens palpáveis: diminuição da atividade muscular que poderia interferir durante a estimulação, redução do uso de fármacos anestésicos — com consequente maior estabilidade intraoperatória — e recuperação mais rápida já nas primeiras horas após a cirurgia. É, como eu gosto de pensar, uma colheita de hábitos que favorece o corpo e a mente no pós-operatório.

Como ressalta Vincenzo Esposito, responsável pela Neurocirurgia II do Neuromed, a hipnose não é mágica: é uma ferramenta que põe o paciente à vontade, aliviando ansiedades inerentes à cirurgia acordada. Isso se traduz em cooperação mais eficaz durante o ato cirúrgico e em avaliações funcionais mais confiáveis. Marco Ciavarro, neuropsicólogo, explica que o trabalho começou já no dia anterior, construindo um percurso que manteve a atenção do paciente elevada e a colaboração constante nos momentos mais delicados.

Do ponto de vista anestesiológico, nas palavras de Svitlana Kaskiv, a integração com a hipnose clínica permitiu uma modulação refinada do estado do paciente, mantendo altos padrões de segurança com uso mínimo de ansiolíticos. Com essa abordagem, o paciente tolera melhor a anestesia local e as demandas do procedimento awake, como a comunicação e a execução de comandos motores.

Ao observar esses procedimentos, penso na respiração da cidade e no despertar da paisagem interior que cada paciente experimenta. A técnica alia ciência e presença: é uma sinfonia onde a mão do cirurgião e a atenção guiada do paciente se encontram para proteger o que é mais caro — as funções que nos permitem andar, falar e sentir o mundo.

Em suma, a intervenção no Neuromed demonstra que a combinação de neurocirurgia awake e hipnose clínica é uma rota promissora para operar em áreas críticas do cérebro com maiores garantias funcionais e bem-estar do paciente. A medicina, quando sensível ao ritmo humano, colhe resultados que vão além dos laudos: recupera movimentos, serenidade e confiança.