Parlamento cria grupo de trabalho sobre insônia e distúrbios do sono para colocar a questão na agenda política
Parlamento italiano cria grupo de trabalho para priorizar a insônia crônica e distúrbios do sono, afetando 13,4 milhões e custando €14 bi/ano.
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Parlamento cria grupo de trabalho sobre insônia e distúrbios do sono para colocar a questão na agenda política
Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma sala que respira o ritmo político de Roma, foi apresentado hoje o Grupo de Trabalho sobre insônia e outros distúrbios do sono, nascido dentro do Intergruppo Parlamentare per le Neuroscienze e l’Alzheimer por iniciativa da deputada Annarita Patriarca e da senadora Beatrice Lorenzin. A proposta busca tirar do silêncio uma condição que, como a brisa fria do outono, se infiltra na vida das pessoas e mina o bem-estar coletivo.
O objetivo é claro: destacar a relevância dos distúrbios do sono, em especial a insônia crônica, hoje subestimada, mas com impacto profundo na qualidade de vida, na saúde pública e nas contas do país. Segundo os dados apresentados, cerca de 13,4 milhões de italianos sofrem de insônia, predominando entre as mulheres (60–70% dos casos) e com maior prevalência na faixa dos 45 aos 65 anos.
Como uma colheita que escapa ao controle, a insônia gera efeitos em cadeia: custos estimados em aproximadamente 14 bilhões de euros por ano — cerca de 0,74% do PIB — distribuídos entre despesas diretas (internações, consultas, medicamentos) e indiretas (absenteísmo, acidentes de trânsito e domésticos). A definição clínica usada lembra o compasso de uma noite longa demais: sonho pobre ou pouco sono ao menos três noites por semana por três meses seguidos, com sintomas noturnos como dificuldade para adormecer ou manter o sono, e consequências diurnas como fadiga, baixa concentração e irritabilidade.
Esses sintomas não ficam confinados ao leito; eles invadem o dia a dia, comprometendo a participação no trabalho e deteriorando a vida social. Mais de 60% dos pacientes relatam um impacto negativo significativo no bem-estar psicológico e 43% apontam prejuízo nas relações sociais.
“Diante das importantes repercussões que os distúrbios crônicos do sono exercem sobre a qualidade de vida dos pacientes e sobre o sistema social, econômico e sanitário do País, é fundamental que as instâncias institucionais reconheçam primeiro a insônia crônica como uma patologia autônoma e que a agenda política lhe reserve um espaço de confronto adequado”, afirmou a deputada Annarita Patriarca. Para ela, trata-se de desenhar respostas concretas: percursos de assistência personalizados e continuativos, uma tomada em carga multidisciplinar e um acesso mais eficiente e apropriado aos tratamentos, somados a um reconhecimento jurídico em níveis nacional e regional.
Na prática, o novo grupo de trabalho quer transformar a empatia em políticas: mapear necessidades, promover percursos assistenciais integrados e sensibilizar decisores para que o tema deixe de ser uma sombra noturna e passe a constar da agenda pública, com ações que alcancem tanto o consultório quanto a fábrica, a estrada e a escola.
Enquanto o parlamento planta essa semente de atenção, resta à sociedade reconhecer o ritmo do próprio corpo — o tempo interno — e cuidar de suas noites como quem cultiva um jardim: com práticas que respeitem ciclos, apoio profissional e políticas que tornem o cuidado algo acessível e contínuo. A respiração da cidade também passa pelo descanso de quem a habita.


