Prevenção do melanoma: por que a roupa protege mais que o creme solar

A campanha 'Vestiti di Prevenzione' reforça: a roupa é a primeira linha de proteção contra o melanoma; saiba por que o creme não basta.

Prevenção do melanoma: por que a roupa protege mais que o creme solar

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Prevenção do melanoma: por que a roupa protege mais que o creme solar

Por Alessandro Vittorio Romano — Quando pensamos em proteção contra o sol, a primeira imagem que nos vem à mente costuma ser a de um frasco de protetor. Mas, como um guarda-chuva que protege mais do que um perfume de chuva, a primeira linha de defesa contra o melanoma é muitas vezes o que vestimos. Em preparação ao mês de maio, dedicado à prevenção do melanoma, e à Giornata nazionale do dia 2 de maio, a Fondazione Melanoma lançou a campanha "Vestiti di Prevenzione" para desmistificar mitos sobre a exposição solar e colocar o vestuário como o verdadeiro dispositivo de proteção individual.

Isso não significa esquecer os filtros: o creme solar continua essencial. Mas pesquisas internacionais — incluindo estudos publicados na Cancer Research e nas revistas Cancer e Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention — mostram que o filtro isolado não é suficiente. Enquanto isso, a preocupação cresce: o melanoma é o tumor cutâneo mais agressivo e, na Itália, os casos mais que dobraram em 20 anos, passando de cerca de 6.000 em 2004 para aproximadamente 15.000 por ano.

"Embora o envelhecimento da população desempenhe um papel, quase 9 em cada 10 casos estão ligados à exposição excessiva aos raios UV", observa o professor Paolo Ascierto, da Universidade Federico II de Nápoles e presidente da Fondazione Melanoma. "Queimar-se mesmo uma vez a cada dois anos pode triplicar o risco de melanoma". Seu alerta é claro: os raios UV podem ser suficientemente intensos para danificar a pele de março até meados de outubro, mesmo quando o céu está nublado ou o clima parece ameno.

O modo como nos vestimos molda também onde o câncer tende a aparecer. Uma análise da Cancer Research UK revela um padrão ligado a hábitos sociais: nos homens, cerca de 40% dos melanomas são diagnosticados nas costas; nas mulheres, mais de um terço (35%) aparece nas pernas. São sinais de que a escolha de roupas influencia a paisagem do corpo onde a doença pode nascer.

Pesquisadores da McGill University chamam atenção para o chamado "paradoxo do creme solar": o uso do filtro pode gerar uma falsa sensação de segurança e levar a exposições mais longas e perigosas. Estudos combinando dados de grupos de discussão nas províncias atlânticas do Canadá (publicados em Cancers) e da Biobank do Reino Unido mostraram uma associação entre o uso de protetor e um risco aumentado — superior ao dobro — de câncer de pele, indicando comportamento de risco impulsionado pela confiança equivocada no produto.

"O creme solar é vital, mas não é uma 'licença para se torrar' ao sol", reforça Ascierto. "A roupa, por outro lado, não sai com o suor e oferece proteção física contínua". A Fondazione Melanoma sugere atitudes práticas, como pequenas colheitas de hábitos que podem transformar a rotina e reduzir riscos.

Cinco recomendações simples e eficientes:

  • Cobrir sem sufocar: prefira tecidos leves e de boa cobertura para proteger sem perder conforto.
  • Escolher cores escuras e vivas: absorvem mais radiação e podem aumentar a barreira protetora da roupa.
  • Usar chapéu de abas largas e mangas compridas: protegem rosto, nuca e braços, áreas frequentemente expostas.
  • Buscar sombra nas horas de maior intensidade: evitar exposição entre 11h e 15h reduz muito o risco.
  • Combinar roupas com filtro solar e vigilância dermatológica: reaplicar protetor, usar óculos e monitorar sinais na pele com profissional.

Viver a Itália é viver ciclos — e as estações têm sua própria respiração. Cultivar a prevenção do melanoma é como adotar uma pequena agricultura de cuidado: semear hábitos protetores agora para colher saúde amanhã. Ouvir o corpo, ajustar o guarda-roupa às estações e respeitar os limites do sol é transformar a cidade em um espaço onde o bem-estar germina naturalmente.

Em tempos de claridade e sombra, a escolha é nossa: vestir-se de proteção é um gesto simples que fala alto contra o risco. E, como costuma dizer a paisagem que acompanhamos: cada detalhe importa — da cor do tecido ao momento do passeio — na imensa cartografia do cuidado.