Redes sociais e saúde: apenas 11,4% dos profissionais receberam formação específica sobre comunicação digital

Estudo ADOI: 49,8% dos profissionais usam redes sociais, mas só 11,4% têm formação específica; 75% pedem diretrizes éticas contra a desinformação.

Redes sociais e saúde: apenas 11,4% dos profissionais receberam formação específica sobre comunicação digital

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Redes sociais e saúde: apenas 11,4% dos profissionais receberam formação específica sobre comunicação digital

ROMA, 10 de agosto de 2026 — Uma grande investigação internacional assinala que quase metade dos profissionais de saúde usa canais digitais no trabalho, mas poucas são as vozes preparadas para comunicar com segurança. Segundo estudo da Associação Dermatologistas Venereologistas Ospedalieri (Adoi), 49,8% dos profissionais de saúde declaram utilizar regularmente redes sociais para fins profissionais, porém apenas 11,4% receberam formação específica para a comunicação em saúde nas plataformas digitais.

Publicado na revista científica Dermatology Practical & Conceptual, o trabalho envolveu um grupo multidisciplinar que avaliou uma amostra representativa de mais de 200 profissionais italianos — incluindo dermatologistas de instituição, médicos em formação, enfermeiros e estudantes de medicina. A pesquisa revela uma divisão nítida entre gerações: os mais jovens navegam com naturalidade por Instagram e TikTok, enquanto colegas com maior experiência clínica permanecem distantes das dinâmicas da comunicação online.

Em tempos em que a desinformação se espalha com a mesma velocidade de uma corrente de vento, mais de 75% dos entrevistados pedem a adoção urgente de recomendações oficiais e de diretrizes éticas para proteger tanto os profissionais quanto o público. É uma solicitação que soa como um pedido de raízes mais profundas num solo que agora respira digitalmente: normas claras ajudariam a filtrar boatos, afirmar fontes e restabelecer confiança.

Os autores destacam que, embora a presença dos profissionais nas redes possa fortalecer a literacia em saúde, a lacuna formativa cria riscos. Sem preparo, mensagens de fácil alcance podem perder precisão ou abrir espaço para interpretações erradas. A pesquisa sugere, portanto, uma necessidade de formação contínua, incluindo recomendações sobre privacidade, consentimento, linguagem acessível e gestão de crises comunicacionais.

Do ponto de vista prático, a adoção de guias e códigos de conduta serviria como um mapa para quem quer navegar com responsabilidade pelo mar digital: orientações sobre verificação de fontes, limites entre opinião pessoal e posição institucional, e estratégias para combater fake news. Para muitos profissionais, essas diretrizes seriam a bússola que falta quando a maré das plataformas muda rápido demais.

Enquanto isso, a diferença geracional lembra-nos que a comunicação em saúde é também uma arte de tradução entre tempos internos: o tempo interno do corpo encontra o ritmo acelerado das redes, e cabe aos profissionais cultivar um discurso que seja, ao mesmo tempo, rigoroso e acessível. A chamada da Adoi aponta para uma colheita futura — investir em formação para que a voz da medicina floresça com clareza na paisagem digital.

Em suma, o estudo sublinha que a presença online dos profissionais de saúde já é uma realidade, mas ainda carece de ferramentas e formação específica. A criação de regras, cursos e recursos de apoio aparece como caminho para proteger tanto quem comunica quanto quem recebe informação, reforçando uma comunicação responsável em prol do bem comum.