Estudo associa uso prolongado de Tadalafil (Cialis) a aumento do risco de glaucoma em homens
Estudo observa associação entre uso prolongado de tadalafil (Cialis) e aumento do risco de glaucoma; avaliação ocular é recomendada durante o tratamento.
RESUMO ✦
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Estudo associa uso prolongado de Tadalafil (Cialis) a aumento do risco de glaucoma em homens
Por Alessandro Vittorio Romano — A paisagem da saúde muitas vezes se move como a respiração de uma cidade: lenta, quase imperceptível, e então surge um sopro que nos pede atenção. Um estudo observacional recente sugere que homens que usam diariamente tadalafil (conhecido comercialmente como Cialis) por longos períodos, para aliviar sintomas urinários da hiperplasia prostática benigna, apresentam um risco maior de desenvolver glaucoma.
Os pesquisadores analisaram dados anônimos de 73.854 homens com 40 anos ou mais, colhidos na rede TriNetX Analytics Network, Global Collaborative Network, entre janeiro de 2012 e dezembro de 2022. A equipe, liderada por Chien‑Chih Chou, do Departamento de Oftalmologia do National Taiwan University Hospital, publicou os achados no British Journal of Ophthalmology.
Na comparação feita ao longo de cinco anos, homens que receberam prescrição de tadalafil ou outro inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5i) mostraram um risco 22% maior de desenvolver glaucoma do que pares cuidadosamente pareados que não fizeram uso desses medicamentos. Quando os pesquisadores olharam especificamente para hipertensão ocular, o aumento do risco foi de 32%, e para o glaucoma primário de ângulo aberto — a forma mais comum da doença — o acréscimo alcançou 33%.
Importante frisar: estes resultados não provam que o tadalafil cause glaucoma. Os autores ressaltam que os achados não constituem uma contraindicação ao uso do medicamento, amplamente empregado tanto na disfunção erétil quanto no tratamento diário de sintomas urinários da próstata aumentada. Contudo, a evidência aponta para a utilidade de avaliar a saúde ocular antes e durante tratamentos prolongados, especialmente em pacientes que já apresentam fatores de risco para doenças oculares.
A classe dos PDE5i, que inclui também o sildenafil (Viagra), já foi associada a problemas oculares em estudos anteriores, envolvendo nervo óptico e mácula. Até agora, as provas sobre aumento de risco de glaucoma eram fragmentadas e inconclusivas — sobretudo no contexto do uso diário e prolongado para sintomas urinários. O novo trabalho amplia o panorama, trazendo dados de uma grande coorte e comparações pareadas por variáveis como idade, etnia, tabagismo, doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e outras condições que podem influenciar o risco ocular.
Como um guardador atento do bem-estar, recomendo que homens que iniciam ou já fazem uso continuado de tadalafil conversem com seu médico sobre um exame oftalmológico baseline e acompanhamento periódico. A vida cotidiana — e a saúde dos olhos — se nutre de pequenas vigilâncias; cultivar essa atenção é como cuidar de um jardim que precisa de luz e água no momento certo.
Em resumo: sinal de alerta, não de pânico. Observação clínica e diálogo com profissionais de saúde transformam incerteza em cuidado consciente.