Tadalafil e visão: estudo aponta possível aumento do risco de glaucoma em uso prolongado

Estudo sugere possível aumento do risco de glaucoma com uso prolongado de tadalafil (Cialis); pacientes devem fazer acompanhamento oftalmológico.

Tadalafil e visão: estudo aponta possível aumento do risco de glaucoma em uso prolongado

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Tadalafil e visão: estudo aponta possível aumento do risco de glaucoma em uso prolongado

Por Alessandro Vittorio Romano — Há medicamentos que prometem alongar o prazer do corpo e, às vezes, mexem também com o tempo interno dos nossos olhos. Um amplo estudo publicado no British Journal of Ophthalmology sugere que o tadalafil — princípio ativo do Cialis, famoso por sua ação prolongada sobre a ereção — pode estar associado a um possível aumento do risco de glaucoma quando usado por longos períodos para tratar sintomas urinários da hipertrofia prostática benigna (HPB).

Pesquisadores de Taiwan recorreram à plataforma TriNetX Analytics Network para analisar dados anônimos de 73.854 homens com mais de 40 anos, coletados entre janeiro de 2012 e dezembro de 2022. Metade deles recebeu prescrição de tadalafil ou outro inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (inibidores da PDE5) por até cinco anos para controlar sintomas das vias urinárias inferiores, enquanto a outra metade não fez uso desses medicamentos.

O objetivo foi comparar, após cinco anos, a probabilidade de desenvolvimento de glaucoma, a ocorrência de hipertensão ocular e a necessidade de iniciar tratamentos antiglaucomatosos. Para garantir um confronto justo, os pesquisadores emparelharem os dois grupos por características demográficas e clínicas, reduzindo vieses e aproximando o estudo de um cenário de vida real.

Os autores lembram que os inibidores da PDE5 já foram ligados a diferentes problemas oculares, incluindo alterações do nervo óptico e da mácula — a área da retina responsável pela visão mais nítida —, mas as evidências sobre um elo direto com o glaucoma eram até então fragmentadas e inconclusivas, especialmente no caso do tadalafil quando usado diariamente para sintomas urinários.

O resultado do trabalho não cria uma relação de causa e efeito definitiva, mas acende um sinal de atenção: pacientes em terapia prolongada com tadalafil para HPB podem demandar um acompanhamento oftalmológico mais atento, sobretudo se apresentarem fatores de risco já conhecidos para glaucoma, como histórico familiar ou pressão intraocular elevada.

Como um jardineiro que observa as estações para proteger as raízes antes da colheita, é prudente que quem colhe os benefícios urológicos do medicamento também cuide da paisagem ocular. A recomendação é conversar com o médico de confiança e considerar avaliações regulares do nervo óptico e da pressão ocular, para que eventuais sinais sejam detectados cedo.

Em essência, a mensagem do estudo é de vigilância cuidadosa, não de alarme imediato: o tadalafil segue sendo uma opção terapêutica eficaz para muitos homens, mas, como toda medicação que respira junto com os ritmos do corpo, merece atenção aos sinais que chegam dos olhos.

Se você faz uso diário de tadalafil para sintomas da HPB, converse com seu urologista e agende uma avaliação oftalmológica — sobretudo se houver história familiar de glaucoma ou sinais de pressão intraocular elevada. A conexão entre tratamentos e bem-estar costuma ser uma via de mão dupla; é nossa tarefa reparar nas pequenas mudanças antes que se tornem tempestades.