Parlamento Europeu elogia avanços de Ucrânia e Moldávia e critica retrocessos da Sérvia no caminho para a UE

Parlamento Europeu elogia avanços de Ucrânia e Moldávia e critica falta de implementação de reformas pela Sérvia no processo de adesão à UE.

Parlamento Europeu elogia avanços de Ucrânia e Moldávia e critica retrocessos da Sérvia no caminho para a UE

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Parlamento Europeu elogia avanços de Ucrânia e Moldávia e critica retrocessos da Sérvia no caminho para a UE

Bruxelas — Em uma sessão que desenhou com clareza os contornos da tensão geopolítica no flanco oriental da Europa, a Eurocâmara avaliou hoje, em Estrasburgo, os relatórios anuais sobre os progressos da Ucrânia, da Moldávia e da Sérvia rumo à União Europeia. A apresentação foi conduzida pelo eurodeputado do PPE Michael Gahler, que assumiu a relatoria com um apelo a um processo estritamente baseado no mérito e na observância dos princípios democráticos.

A avaliação foi bifocal. Para a Ucrânia, a Casa aprovou uma opinião claramente favorável: com 460 votos a favor, 136 contra e 59 abstenções, os deputados saúdam a abertura, ocorrida em junho, do primeiro cluster de negociações de adesão e exigem que os demais capítulos sejam abertos em breve. O Parlamento europeu destacou a necessidade de consolidar a segurança futura da Ucrânia e do continente, tendo presente as contínuas interferências da Rússia. Em particular, houve reconhecimento pelo reforço institucional de Kiev, incluindo avanços na reforma do sistema judicial e no combate à corrupção, ainda que os eurodeputados sublinhem que “o prosseguimento das reformas judiciais e o trabalho desimpedido das instituições anticorrupção são essenciais” para corresponder às expectativas dos cidadãos.

No mesmo plenário, a Moldávia recebeu elogios comparáveis: aprovada com 505 votos a favor, 115 contra e 45 abstenções, a avaliação reconhece progressos nas reformas estruturais — especialmente justiça e mecanismos anticorrupção — apesar das persistentes ingerências externas lideradas pela Rússia. O Parlamento voltou a pedir que Moscou retire todo o pessoal militar, equipamento e munições da Transnístria, exigência que reafirma a importância da soberania e da integridade territorial como pilares não negociáveis do processo de adesão.

Em contraste, a leitura sobre a Sérvia assume tonalidade crítica. Apesar das declarações de Belgrado de que a entrada na União Europeia permanece objetiva estratégica, a Assembleia observou um descompasso persistente entre o alinhamento normativo formal e a implementação prática das reformas. A resolução sobre a Sérvia, aprovada por 468 votos a favor, 116 contra e 79 abstenções, adverte que os negociações deverão avançar apenas com base em progressos concretos e verificáveis no Estado de direito, na liberdade dos media e na transparência administrativa. Em termos geopolíticos, trata-se de um aviso: em um tabuleiro em que as influências externas procuram esvaziar alicerces democráticos, a credibilidade de Belgrado será medida em atos, não em retórica.

Outro ponto sensível da plenária foi a rejeição, por parte dos deputados, de pressões externas — nomeadamente antigas solicitações da administração dos Estados Unidos — para que a Ucrânia realizasse eleições em pleno conflito. A Eurocâmara reafirmou que qualquer calendário democrático deve refletir as condições de segurança e a integridade do processo eleitoral.

Do ponto de vista estratégico, vemos um movimento que não é apenas jurídico-administrativo, mas também tectônica de poder: a União Europeia procura reafirmar as regras do jogo no seu entorno imediato, ao mesmo tempo em que envia sinais claros a atores externos. Os relatórios votados em Estrasburgo delineiam um critério de mérito rígido — um xeque posicional para quem avança no tabuleiro e um alerta para quem tenta contornar as regras.

Em suma, a mensagem do Parlamento Europeu é dupla e inequívoca: apoiar e acelerar a integração dos que efetivamente consolidam reformas e valores democráticos — como a Ucrânia e a Moldávia — e condicionar o progresso de candidatos cujo compromisso prático com esses mesmos valores ainda é duvidoso — caso da Sérvia. A estabilidade futura da ordem europeia depende justamente dessa congruência entre norma e prática.