Escalada no Irã dobra custos da eletricidade a gás na UE, diz Ember

Ataque no Irã eleva preços do gás e dobra custo da eletricidade a gás na UE, revela relatório do think tank Ember.

Escalada no Irã dobra custos da eletricidade a gás na UE, diz Ember

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Escalada no Irã dobra custos da eletricidade a gás na UE, diz Ember

Bruxelas — O recente ataque atribuído aos Estados Unidos e a Israel contra alvos no Irã provocou um movimento decisivo no tabuleiro energético europeu: a súbita valorização do preços do gás levou ao quase dobramento do custo da energia elétrica produzida a partir do gás em toda a UE, segundo análise do think tank independente Ember.

O estudo aponta que, nos primeiros dez dias do conflito, as oscilações do mercado custaram aos europeus cerca de 2,5 bilhões de euros adicionais apenas em importações de combustíveis fósseis. A avalição da organização é precisa no diagnóstico: desde 28 de fevereiro o custo da eletricidade produzida por centrais a gás subiu mais de 50%, afetando de forma direta as tarifas finais, em um momento em que as fragilidades dos alicerces da diplomacia geoeconômica tornam-se visíveis.

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Em termos comparativos, o aumento ligado ao gás supera em muito o impacto do mercado de carbono do sistema de comércio de emissões da União Europeia (ETS). Conforme o relatório, nas cotações atuais, o custo do carbono responde por, no máximo, cerca de 10% da fatura elétrica média de uma família europeia — valor inferior à média do IVA, estimada em 18%.

O efeito, porém, não é homogêneo. Países com menor dependência do gás no mix elétrico sofreram impactos menos pronunciados. A Espanha, fruto de um desenho estratégico que promoveu um descolamento estrutural entre preços do gás e da eletricidade a partir da rápida expansão do eólico e do solar desde 2019, viu o gás influenciar o preço apenas em cerca de 15% das horas de 2026 até agora — contraste marcante com os 89% registrados na Itália. Assim, a volatilidade dos mercados revelou uma tectônica de poder entre sistemas energéticos nacionais.

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Há sinais claros de aumento de volatilidade em março, sobretudo nos mercados altamente interconectados da Europa Central e Ocidental, com picos matutinos e vespertinos — janelas de maior consumo de gás. Na primeira semana de março, os preços da eletricidade alcançaram os níveis mais altos do ano em Alemanha, Países Baixos, Itália e Bélgica. Em contrapartida, economias menos dependentes do gás, como Espanha, Portugal, França e os países nórdicos, mostraram menor contágio.

Quanto às cotações internacionais, os preços do petróleo e do gás subiram imediatamente após a escalada e permaneceram elevados. O índice de referência do gás na Europa, o TTF (Title Transfer Facility), atingiu média de aproximadamente 45 euros/MWh na primeira semana do conflito (2-6 de março), um salto de quase 50% em relação aos níveis pré-conflito (cerca de 31 euros/MWh).

Apesar do choque dos preços, o risco imediato de racionamento é considerado baixo pela Ember, em razão de que as importações diretas de gás do Médio Oriente representam uma parcela relativamente pequena do abastecimento europeu — estimada em torno de 10% — e porque a infraestrutura de interconexões e estoques ainda oferece margem de manobra. No entanto, este episódio expõe a fragilidade estratégica de sistemas elétricos que permanecem excessivamente atrelados ao preço do gás e sublinha a urgência de consolidar matrizes renováveis e mecanismos de resiliência.

Na leitura geopolítica, este aumento abrupto é mais que uma anomalia de mercado: é um redesenho de fronteiras invisíveis entre segurança energética e estabilidade macroeconômica. A curto prazo, consumidores europeus sentirão a pressão nas contas; a médio prazo, o tabuleiro exige respostas políticas coerentes que reduzam a exposição a choques externos e fortaleçam os alicerces de uma transição energética segura.

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