França avalia liberação de reservas de petróleo para conter alta do diesel antes do G7

França propõe liberar 50M barris de diesel e 50M de crude da AIE para conter alta dos preços antes do G7; EUA pressionam por maior volume.

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França avalia liberação de reservas de petróleo para conter alta do diesel antes do G7

Por Marco Severini — Em movimento que altera, sutileza por sutileza, o desenho das influências energéticas, a França está avaliando o relâmpago dispositivo de liberar parte de suas reservas de emergência de petróleo para mitigar o aumento acentuado dos preços do diesel e as apreensões sobre o abastecimento, segundo três diplomatas da União Europeia ouvidos por fontes oficiais.

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A proposta emergiu durante uma reunião matinal entre a Comissão Europeia e delegações dos Estados-membros, logo após o presidente Emmanuel Macron dialogar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a conjuntura energética global. A França, segundo os diplomatas, ainda não formalizou um pedido, mas sugeriu um esquema combinado: a liberação de 50 milhões de barris de diesel mais 50 milhões de barris de petóleo bruto das reservas de emergência coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Washington vinha pressionando por uma injeção mais volumosa no mercado: os EUA teriam solicitado 100 milhões de barris. A alternativa francesa — a fórmula "50 + 50" — busca conciliar rapidez de efeito com limites logísticos e geopolíticos, numa jogada que lembra um lance de xadrez em que se sacrifica uma peça para preservar o centro do tabuleiro: o abastecimento e a estabilidade social.

Os EUA tentam conter a escalada dos preços de combustíveis à sombra das eleições de médio mandato e avaliam inclusive um eventual bloqueio às exportações de diesel. Autoridades americanas chegaram a propor que a União Europeia libertasse 120 milhões de barris ao longo de três meses como alternativa ao corte unilateral norte-americano.

O presidente Macron advertiu anteriormente que um veto norte-americano às exportações de diesel seria "catastrófico", com a França entre os países europeus mais vulneráveis a essa medida. No mercado, o barril de Brent ultrapassou os 100 dólares em 1º de outubro, pressionado pelo envio de uma terceira porta-aviões dos EUA ao Oriente Médio e pela suspensão chinesa das exportações de combustíveis, fatores que redesenham, por tectônica de poder, as rotas de suprimento.

Ao fim do encontro sobre energia, a Comissão Europeia declarou que a UE está "pronta a agir coletivamente", embora tenha sublinhado que caberia à AIE organizar qualquer liberação coordenada de estoques. A distinção proposta entre diesel e bruto é relevante: o diesel chega ao mercado e ao consumidor com maior rapidez, enquanto o petróleo bruto exige refinaria antes de virar combustível.

Qualquer operação deste porte exige coordenação estrita entre os países participantes do sistema de reservas da AIE, logística refinada e aval político — uma arquitetura complexa que precisa resistir a pressões internas e externas. No período vespertino está prevista videoconferência entre os líderes do G7, com a França atualmente na presidência do grupo. O objetivo declarado pelo Palácio do Eliseu é alinhar medidas destinadas a aliviar a pressão sobre os preços e assegurar fornecimentos de petróleo bruto e produtos refinados, tanto entre os membros do G7 quanto numa esfera global.

Em termos estratégicos, trata-se de uma jogada destinada a preservar os alicerces frágeis da diplomacia energética europeia: um movimento que evita o confronto direto com Washington, tenta mitigar o impacto imediato nos consumidores e mantém, ao mesmo tempo, instrumentos de coordenação multilaterais — o tabuleiro de poder segue em transformação.

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