Hungria acelera obras no Danúbio para garantir resfriamento da central de Paks
Hungria intensifica obras no Danúbio para garantir o resfriamento da central nuclear de Paks e evitar riscos por seca.
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Hungria acelera obras no Danúbio para garantir resfriamento da central de Paks
Por Marco Severini — Em movimento decidido no tabuleiro da segurança energética regional, a Hungria intensificou os trabalhos junto ao rio Danúbio para assegurar o resfriamento da única central nuclear em operação no país, a usina de Paks.
Na última quarta-feira, o governo de Budapeste adotou duas medidas complementares: uma intervenção estrutural de longo prazo e manobras de caráter imediato destinadas a elevar o nível do Danúbio, que recuou devido à seca. A solução duradoura consiste na construção de uma sede de fundo transversal no leito do rio, entre Paks e Dunaszentbenedek, com o objetivo de estabilizar o fluxo e assegurar o fornecimento contínuo de água de refrigeração.
Paralelamente, para obter um efeito rápido, serão afundadas duas barcaças fixas de 80 metros, que funcionarão como barreiras provisórias para elevar localmente o nível hídrico e garantir a operação segura das unidades de geração.
Ao todo, 142 militares húngaros estão mobilizados em apoio às autoridades responsáveis pela gestão dos recursos hídricos. O colonnello Csurgó Attila, comandante das operações na margem esquerda do Danúbio, relatou ações de engenharia pouco comuns: helicópteros das Forças Armadas depositaram blocos de concreto de um metro cúbico em pontos críticos para reforçar as defesas fluviais. Segundo ele, o mesmo tipo de reforço será replicado em outros trechos identificados como vulneráveis.
O esforço é coordenado e envolve várias centenas de pessoas e múltiplas ofertas de colaboração. Graças a essa mobilização, já na noite de segunda-feira observou-se uma subida sensível no nível do rio, aliviando, por ora, a emergência. As duas turbinas atualmente em funcionamento na central de Paks operam de forma confiável, enquanto outras permanecem paradas e aguardam condições seguras para reinício.
O quadro permanece tenso: a quarta-feira é apontada como crítica, e as equipes terão de resistir até quinta-feira, quando são esperadas precipitações significativas provenientes das bacias austríacas e alemãs do Danúbio. Se esse influxo ocorrer conforme previsto, o aumento do nível hídrico permitirá, já na próxima semana, o início de um processo gradual e seguro de religamento das turbinas que hoje se encontram inativas.
Numa leitura de arquitetura estratégica, trata-se de um redesenho temporário das fronteiras hidráulicas que sustenta a operação de um ativo sensível. A manobra húngara combina engenharia e disposição militar para preservar os alicerces da diplomacia energética e evitar riscos maiores à estabilidade regional.
Do ponto de vista geopolítico e técnico, a operação revela a fragilidade das cadeias de segurança que dependem do clima: a seca expôs pontos de pressão sobre instalações críticas, exigindo respostas rápidas e coordenadas. O êxito parcial até agora demonstra capacidade de reação, mas mantém em aberto a necessidade de soluções de médio e longo prazo para a gestão do Danúbio e a resiliência do setor elétrico húngaro.

