Montenegro no 'último milha' para a UE: Podgorica mira ser o 28.º membro até 2028
Montenegro acelera negociações e reformas para se tornar o 28.º membro da UE até 2028; Comissão prepara transição financeira e salvaguardas.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Montenegro no 'último milha' para a UE: Podgorica mira ser o 28.º membro até 2028
Bruxelas — Em uma etapa decisiva do tabuleiro europeu, Montenegro confirma-se como o candidato mais próximo de completar a travessia rumo à União Europeia (UE). Na visita aos Balcãs ocidentais, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu a situação como o «último milha» do processo de adesão — uma reta final em que as jogadas protocolares e as reformas estruturais precisam se encaixar com precisão.
Segundo a Comissão, o país balcânico abriu todos os 33 capítulos negociais do acervo comunitário e encerrou provisoriamente 18 deles — mais da metade. No entanto, ainda restam 15 capítulos por fechar, apesar da forte aceleração verificada ao longo de 2026: em janeiro foi fechado provisoriamente o capítulo 32 (controle financeiro); em março, o 21 (redes transeuropeias); em junho, os capítulos 2 (livre circulação de trabalhadores) e 28 (proteção dos consumidores e saúde); e em julho foram concluídos os capítulos 8 (política da concorrência) e 29 (união aduaneira).
Na conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro Milojko Spajić, von der Leyen reafirmou o objetivo ambicioso: ver o Montenegro como o 28.º Estado-membro até 2028. O governo de Podgorica anunciou um calendário próprio — fechar negociações em 2026, assinar o tratado de adesão em 2027 e concluir a adesão em 2028 — sintetizado na meta pública de ser o “28º membro até o ’28”.
Do ponto de vista técnico e estratégico, Bruxelas já trabalha na logística da transição financeira que converterá o status de candidato em Estado-membro, permitindo a participação de Podgorica nas prioridades do próximo quadro financeiro plurianual 2028–2034. A Comissão enfatizou também que está se preparando para que “os limites do Montenegro se convertam em limites da UE”, uma formulação que traz implicações de soberania e segurança fronteiriça que demandam medidas detalhadas.
Para preservar os ganhos alcançados, a Comissão não exclui instrumentos de salvaguarda: “Sempre tivemos salvaguardas nos tratados de adesão e as teremos ainda, sem dúvida”, declarou von der Leyen, remetendo os pormenores à revisão da política de prealargamento que será lançada em 6 de outubro. É um movimento prudente — a tectônica de poder na região e as incertezas geopolíticas exigem mecanismos que evitem reversões abruptas nos resultados das reformas.
O primeiro-ministro Milojko Spajić apresentou o chamado «Euro Model», um pacote de reformas económicas e legislativas desenhado para alinhar o país aos padrões europeus, reter população, atrair retornos de emigrantes e elevar o padrão de vida. Do ponto de vista diplomático, trata-se de uma jogada dupla: acelerar a convergência normativa e consolidar apoio interno para evitar que a adesão fique só na retórica.
A comissária para o Alargamento, Marta Kos, também sublinhou a janela política favorável — com líderes europeus convocados a debater o alargamento já no Conselho Europeu de meados de outubro. Esse calendário reforça a necessidade de uma execução precisa: estamos diante de um projeto de integração que exige que cada peça do tabuleiro — reformas, negociações, garantias financeiras e salvaguardas — esteja alinhada num mesmo movimento estratégico.
Em suma, Montenegro está na aproximação final, mas a travessia do “último milha” é tanto administrativa quanto geopolítica. A conjugação entre o ritmo interno das reformas — materializado pelo Euro Model — e as decisões políticas de Bruxelas determinará se Podgorica concluirá, sem sobressaltos, o caminho até se tornar o 28.º membro da UE em 2028.
Marco Severini — Espresso Italia: análise estratégica e diplomática sobre o redimensionamento das fronteiras políticas europeias.

