Toscana e Lombardia unem-se contra a centralização dos fundos da UE: risco ao futuro do Quadro Financeiro 2028-2034
Toscana e Lombardia rejeitam a centralização de fundos no QFP 2028-2034; risco à autonomia regional e ao futuro das políticas de coesão da UE.
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Toscana e Lombardia unem-se contra a centralização dos fundos da UE: risco ao futuro do Quadro Financeiro 2028-2034
Bruxelas — Em um movimento que revela a tensão entre Governo central, autoridades regionais e instituições europeias, a Itália vive um momento decisivo sobre as políticas de coesão. No dia 26 de março, a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, anunciou a reprogrmação de mais de 7 bilhões de euros em fundos de Coesione destinados à competitividade das empresas italianas, à construção de habitação com preços controlados e a intervenções nos setores hídrico e energético.
As Regiões celebraram com cautela. Em Bruxelas, a Região da Toscana considerou "positiva" a reprogrmação, na avaliação da conselheira regional Irene Galletti (M5S): trata-se de uma resposta necessária diante de territórios com necessidades internas diferenciadas, que exigem instrumentos financeiros adaptáveis. Ao mesmo tempo, o debate imediato volta-se para o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034: é neste alicerce que se jogará o futuro da coesão territorial europeia.
Alessandro Capecchi (FdI), membro da comissão de Políticas UE e Relações Internacionais da Toscana, expressou receio quanto à proposta da Comissão Europeia de integrar instrumentos como o PAC e o Fundo Social Europeu, vendo aí um movimento de concentração que pode redundar em cortes significativos de recursos destinados ao País e à própria região toscana. "Há um pouco de temor de que isso possa resultar em fortes cortes nas transferências para o nosso país e para a região", afirmou Capecchi, sublinhando a mobilização regional em face dessa possibilidade.
Essa mesma inquietação encontra eco na Lombardia. O presidente Attilio Fontana qualificou como "inaceitável" a centralização prevista pela nova concepção de coesão, posição partilhada por muitos líderes regionais europeus que veem no desenho proposto um redesenho de fronteiras administrativas — não sobre o mapa geográfico, mas sobre o poder de decisão e alocação de recursos.
No Parlamento Europeu, o cabeça-delegação do PD, Nicola Zingaretti, saudou o fato de que presidentes de direita se manifestem contra o atual desenho do QFP, reforçando a ideia de que a proposta apresentada por Conselho e Comissão é errada por não investir no futuro e por nacionalizar escolhas que, para Zingaretti, deveriam ser partilhadas. "Esta é uma batalha que conduzimos desde o primeiro dia. Agora, às palavras deve seguir coerência para mudar este QFP ou rejeitá-lo", declarou.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento no tabuleiro onde estão em jogo não apenas euros, mas os vetores de autonomia regional e a arquitetura de governança europeia. A proposta de concentração de instrumentos financeiros tende a deslocar decisões do nível regional para o centro, alterando a tectônica de poder entre Bruxelas, Estados-membros e governos subnacionais. Para a Itália, um país com diversidade territorial e assimetrias econômicas, essa alteração representa um risco imediato à capacidade de resposta às necessidades locais.
Como analista, observo que a contenda terá implicações de longo prazo: a forma como se estruturará o QFP 2028-2034 definirá os mecanismos de distribuição de poder e de recursos na UE. Em termos práticos, as regiões italianas — da Toscana à Lombardia — atuam aqui como peças essenciais numa partida maior, onde cada movimento de centralização ou descentralização pode transformar as linhas de influência e as possibilidades de investimento estratégico.
Em suma, a proposta da Comissão acendeu um alerta nas administrações regionais e na bancada política italiana que acompanha o dossier em Bruxelas. Resta ver se o próximo capítulo dessa negociação será de contenção dos poderes centrais ou de reafirmação dos espaços regionais de decisão — uma escolha que definirá, em última instância, a eficácia das políticas de coesão na Europa pós-2028.