UE aponta nova ameaça: extremismo violento niilista entre jovens online, 25 anos após 11 de setembro
UE alerta para crescimento do extremismo violento niilista entre jovens online; redes como "The COM" e estatísticas da Europol mostram nova ameaça à segurança.
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UE aponta nova ameaça: extremismo violento niilista entre jovens online, 25 anos após 11 de setembro
Por Marco Severini — A União Europeia enfrenta, no vigésimo quinto aniversário dos atentados de 11 de setembro, uma dupla realidade de risco: enquanto os grupos jihadistas continuam a constituir uma ameaça concreta à segurança europeia, emergiu uma nova e inquietante forma de perigo nas camadas mais jovens da sociedade digital. Esta nova onda, descrita nos documentos da UE como extremismo violento niilista, opera sobretudo em comunidades online e veio para ficar — ou, pelo menos, para redesenhar o tabuleiro de risco interno.
Em uma operação coordenada entre junho e julho, investigadores policiais de nove países europeus identificaram cerca de 4.340 endereços web ligados a uma comunidade conhecida como "The COM". A dimensão exata da rede por trás deste fenômeno permanece, contudo, opaca: definições variam e atos podem transitar entre crime comum e terrorismo, razão pela qual a Europol ainda não consolida estatísticas específicas para esse tipo de radicalização.
O coordenador da UE para a luta contra o terrorismo, Bartjan Wegter, descreveu o fenômeno com frieza, como "violência pelo gosto da violência". Segundo os relatórios, no último ano foram reportados 45 ataques terroristas em 10 dos 27 Estados-membros da União Europeia, sem que, no entanto, se registasse um ataque de larga escala com elevado número de vítimas. Cerca de metade desses atos foi impedida ou falhou, mas seis pessoas perderam a vida. Ao todo, 486 suspeitos com ligações ao terrorismo foram detidos em 21 países, aponta a Europol.
Os grupos jihadistas foram responsáveis por 24 desses ataques e por mais de 70% das detenções. Porém, chama atenção o perfil etário entre os detidos: aproximadamente um terço tinham menos de 18 anos, em sua maioria jovens do sexo masculino, o que transforma o fenómeno num desafio de prevenção e intervenção precoce.
Casos emblemáticos ilustram a nova face do perigo. Na Finlândia, em 2025, um adolescente de 16 anos esfaqueou três colegas — teria difundido um "manifesto" em grupos de WhatsApp, gravado o ataque no Snapchat e pedido que alguém guardasse o vídeo. No documento, buscava o que descreveu como algo "significativo" e "emocionante". Na Itália, um jovem de 15 anos planejou um homicídio para obter notoriedade online; em seu telefone foram encontradas imagens de agressões, execuções e material de abuso sexual infantil.
Para Wegter, esses episódios, em aumento há dois a três anos, não são incidentes isolados, mas mostram a existência de redes digitais "muitas vezes lideradas por jovens, para jovens", capazes de traduzir a demência virtual em atos de violência real. O padrão é conhecido: comunidades que valorizam a ação espetacular como fonte de prestígio e pertencimento.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que altera os alicerces da prevenção. Se a ameaça jihadista exige contra-redes transnacionais e diplomacia concertada, o extremismo violento niilista demanda capacidade de intervir no tecido social, ferramentas de vigilância jurídica adaptadas às plataformas e políticas de resiliência cívica que atinjam o circuito de formação de identidade jovem. É uma mudança de peças no tabuleiro: já não basta fortificar fronteiras e rotas de financiamento; é preciso mapear a cartografia emocional e simbólica onde a violência ganha significado.
As respostas devem ser calibradas: cooperação policial entre Estados-membros, exigência de transparência às plataformas digitais, programas escolares de literacia digital e intervenções psicológicas. A diplomacia da segurança exige, agora, combinar arquiteturas de intervenção clássicas com tacto sociocultural — como quem reconstrói, com precisão, uma fachada histórica que corrói por dentro.
Em suma, a UE encara uma tectônica de poder interna e externa: os jihadistas continuam a pressionar as margens do concerto europeu, mas a ameaça mais difusa e juvenil do extremismo violento niilista exige respostas igualmente estratégicas, sob pena de verem-se alicerces frágeis da coesão democrática corroídos por atos de violência que buscam, acima de tudo, espetáculo.

