UE avança na coleta de plástico descartável: 10 países já ultrapassam meta de 2025, aponta relatório

Relatório da UE revela avanços na coleta de plástico descartável: 10 países já atingiram a meta de 77% para 2025; 6 superaram 90% para 2030.

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UE avança na coleta de plástico descartável: 10 países já ultrapassam meta de 2025, aponta relatório

Bruxelas — Um movimento tático e substancial no tabuleiro ambiental da União Europeia: a Comissão Europeia divulgou, em 16 de abril, o primeiro relatório de monitoramento da Diretiva sobre Plástico Monouso (SUPD), com base nos dados nacionais relativos a 2022, o primeiro ano de aplicação efetiva do pacote regulatório que entrou em vigor em 2019 e foi operacionalizado a partir de julho de 2021.

O documento mostra que a maioria dos Estados-membros fez avanços relevantes na coleta seletiva de embalagens em plástico descartável, elevando o potencial de uma reciclagem de maior qualidade e reduzindo a dispersão desses resíduos no ambiente. A leitura dos números, porém, exige uma visão de estrategista: não se trata apenas de estatísticas, mas de realinhamentos de infraestrutura, incentivos económicos e políticas públicas que redesenham frentes de influência industriais e logísticas.

A SUPD atua em três frentes complementares. Primeiro, o veto a determinados itens cuja circulação foi inteiramente proibida — entre os quais se destacam palitos de algodão (cotonetes), talheres e pratos de plástico e canudos. Em segundo lugar, medidas destinadas à redução do consumo de produtos como contentores alimentares, copos e algumas garrafas — sem metas numéricas rígidas, mas com exigência de diminuição “ambiciosa e sustentada”. Finalmente, a coleta separada das embalagens em plástico descartável, instrumento crítico para evitar que estes resíduos acabem em fluxos indiferenciados e comprometam a eficiência do ciclo de reciclagem.

Para esta última frente, a regulamentação fixa parâmetros claros: todos os Estados-membros devem coletar separadamente 77% das suas embalagens de uso único até 2025 e chegar a 90% até 2030. No ano de referência, 2022, já se verificou que 71% das garrafas monouso foram recolhidas separadamente — um indicativo de progresso, mas que revela também a distância entre jurisdições no mesmo tabuleiro.

Dez países europeus já ultrapassaram a barreira dos 77% em 2022: Estónia, Polónia, Finlândia, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Lituânia, Croácia, Eslováquia e Bélgica. As seis primeiras na lista — Estónia, Polónia, Finlândia, Alemanha, Dinamarca e Suécia — atingiram, ademais, o parâmetro de 90% previsto para 2030, destinando à coleta separada e ao circuito de reciclagem mais de nove em cada dez garrafas consumidas.

Na outra ponta do mapa estão Malta, Hungria e Eslovénia, cujo índice de coleta separada não ultrapassava 30% em 2022, sinalizando vulnerabilidades estruturais que exigem intervenções imediatas. A Itália, por sua vez, situou-se ligeiramente abaixo da média europeia, com uma taxa de recolha separada das garrafas monouso marginalmente inferior ao agregado comunitário.

Da nossa perspectiva estratégica, estes resultados representam tanto uma consolidação de alicerces regulatórios quanto um convite à diplomacia técnica: esquemas de depósito e retorno, responsabilização estendida do produtor (EPR) e melhorias em logística reversa funcionam como peças num jogo coordenado, onde ganhos locais podem traduzir-se em vantagens competitivas para indústrias e cadeias de valor. A tectônica de poder aqui é discreta, mas real — envolve decisões de investimento, integridade das cadeias de fornecimento e credenciais ambientais que repercutem nos fluxos comerciais e reputacionais.

Em suma, o relatório confirma um progresso relevante, mas também evidencia pontos frágeis no mapa europeu. Controlar a dispersão do plástico descartável é hoje tanto uma questão técnica quanto um movimento de Estado, onde decisões bem desenhadas podem ser o lance decisivo para consolidar uma arquitetura de economia circular mais robusta.