Von der Leyen tenta desbloquear impasse entre Macedônia do Norte e Bulgária para abrir negociações com a UE

Von der Leyen busca desbloquear impasse entre Macedônia do Norte e Bulgária para avançar negociações de adesão à UE. Movimentos políticos e infraestrutura em jogo.

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Von der Leyen tenta desbloquear impasse entre Macedônia do Norte e Bulgária para abrir negociações com a UE

Bruxelas — Em uma movimentação calculada no tabuleiro das relações europeias, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou em Skopje um primeiro passo destinado a tentar libertar o impasse que trava o processo de integração da Macedônia do Norte na União Europeia. O anúncio aconteceu após um encontro com o primeiro-ministro norte-macedônio, Hristijan Mickoski, e marca uma tentativa de retomar o avanço das negociações que se encontram estagnadas há anos.

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O cerne do conflito permanece o mesmo: a exigência da Bulgária de alterações constitucionais em Skopje para o reconhecimento explícito da minoria búlgara na Constituição norte-macedônia. Esse ponto tem sido o principal obstáculo desde que Sofia bloqueou, em 2020, o início dos capítulos negociais, exigindo progressos concretos sobre questões identitárias e o cumprimento do Tratado de Amizade e Boa Vizinhança de 2017.

"Acordámos em dar um primeiro passo na próxima semana para tentar desbloquear a situação e pôr o processo em movimento novamente", declarou von der Leyen em conferência de imprensa. A presidente destacou que falta "o último passo" para que a Macedônia do Norte possa abrir o primeiro grupo de capítulos negociadores — o dedicado aos chamados "fundamentais" — e que esse avanço deve respeitar "a identidade e a língua" da nação norte-macedônia.

Do ponto de vista institucional, o fio da meada é constitucional: incluir os búlgaros entre as comunidades reconhecidas representaria um gesto bilateral que Sofia considera essencial para avançar. Skopje, por sua vez, tem enfrentado dificuldades políticas internas para formalizar essa modificação, numa equação em que identidades históricas se cruzam com agendas políticas contemporâneas.

Von der Leyen sublinhou que a adesão deve ocorrer "no pleno respeito da identidade e da língua" macedônias, acrescentando que a cultura e a língua do país podem enriquecer a União, numa reafirmação do princípio "unidos na diversidade". Essa postura busca equilibrar a legitimidade das reivindicações bilaterais com a lógica mais ampla da coesão europeia — um movimento de diplomacia de precisão para evitar o colapso dos alicerces do processo de adesão.

Segundo o comunicado, o passo concreto poderá ocorrer em solo búlgaro: a sugestão de von der Leyen foi aproveitar a visita que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Macedônia do Norte fará a Sofia na próxima semana, no âmbito de projetos relacionados ao Corridoio 8 — corredor estratégico de transporte e energia que conecta o Adriático ao Mar Negro, atravessando a península dos Bálcãs, com ligações que partem de portos italianos na Apúlia. Essa articulação técnica visa transformar um eixo de infraestrutura num espaço de confiança política.

Historicamente, as relações entre Sofia e Skopje são marcadas por disputas identitárias que se aprofundaram ao entrelaçar-se com o percurso europeu. A exigência búlgara sobre interpretações de língua e memórias históricas — incluindo figuras e narrativas partilhadas — configura um desafio simbólico que incide diretamente sobre o conteúdo constitucional norte-macedônio.

Como analista, observo que a iniciativa de Von der Leyen representa um movimento decisivo no tabuleiro diplomatico: não é um cheque em branco, mas um gesto técnico e político destinado a reabrir canais que há muito se fecharam. O sucesso dependerá da capacidade dos atores de converter compromissos vagos em linguagem constitucional precisa, sem desestabilizar o tecido identitário interno da Macedônia do Norte — uma operação que exige tanto tato político quanto firmeza institucional.

Marco Severini — Espresso Italia

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