Nonni do Brasil: exposição em Araraquara celebra a saga dos imigrantes italianos
Exposição 'Nonni do Brasil' em Araraquara celebra a memória dos imigrantes italianos, com totems, histórias e a saga de Giuseppe Cutrale.
RESUMO ✦
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Nonni do Brasil: exposição em Araraquara celebra a saga dos imigrantes italianos
Por Erica Santini — Ciao, viajante sensível: chego com uma história que cheira a casca de laranja e a memórias. Foi inaugurada em Araraquara, no Estado de São Paulo, a mostra Nonni do Brasil: memorie dell'Immigrazione italiana, um tributo pictórico e documental aos imigrantes italianos que, décadas atrás, desembarcaram com pouco mais que coragem e sonhos e transformaram este canto do mundo.
A curadoria é de Oliviero Pluviano, jornalista genovês que por muitos anos foi correspondente da ANSA em São Paulo. Pluviano já havia levado um recorte dessa narrativa à Itália, em uma exposição realizada no final de 2024 no Museo Nazionale dell'Emigrazione Italiana (MEI) de Gênova, por ocasião dos 150 anos da chegada dos primeiros emigrantes italianos ao Brasil. Agora, a história ecoa entre as ruas e os pomares de Araraquara, cidade que respira o doce aroma do cítrico e é referência mundial na produção de suco de laranja.
A exposição se estrutura em cerca de trinta totems imponentes, quase três metros de altura, que contam em imagens e textos as trajetórias de italianos que chegaram no final do século XIX e ao longo do século XX. Cada painel é uma janela sensorial: você quase sente o pó dos cais de Santos, o barulho do mercado municipal de São Paulo e o calor humano das longas mesas de família onde se partilhava pão e esperança.
Entre as histórias, destaca-se a de Giuseppe Cutrale, natural de Carlentini, na Sicília, que aportou no porto de Santos em 1925. Cutrale teve 16 filhos; o primeiro nascido em solo brasileiro foi José. De vendedor de frutas nas barracas do Mercado Municipal paulistano, ele transformou-se — graças, também, às laranjas de Araraquara — no maior exportador de suco de laranja para os Estados Unidos e para o mundo. É um exemplo eloquente de como o encontro entre memória e trabalho construiu famílias e empresas que hoje são parte da paisagem econômica e afetiva do Brasil.
Visitar Nonni do Brasil é navegar pelas tradições como quem saboreia um vinho: há notas amargas e doces, texturas de saudade e resistência, e uma luz dourada que ilumina tanto o passado quanto as raízes contemporâneas. A exposição fala de migração, mas sobretudo de hospitalidade — aquela hospitalidade sofisticada que eu tanto amo: discreta, calorosa, com olhar atento aos detalhes.
Andiamo: se puder, marque um passeio por Araraquara e permita-se o dolce far niente diante destas vidas exibidas em grande formato. Toque as histórias com os olhos, respire o perfume das memórias e compartilhe este legado com quem ama genealogia, gastronomia e paisagens humanas. A mostra é um convite para reconhecer que cada família tem um perfume de origem; no caso dos muitos “nonni” que fizeram do Brasil sua casa, esse perfume é o da laranja madura ao sol.
Informações práticas: a exposição, assinada por Oliviero Pluviano, está aberta em Araraquara — cidade referenciada pela forte produção de suco de laranja — e propõe uma leitura poética e documental das trajetórias italianas no Brasil. Perfume-se de história e volte para casa com um mapa novo do afeto.

