Professores de Verona seguem pegadas dos venetos na América do Sul: memória, língua e tradições que resistem
Dois professores de Verona percorrem Argentina, Uruguai e Brasil para documentar 150 anos da emigração veneta e conservar língua e tradições.
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Professores de Verona seguem pegadas dos venetos na América do Sul: memória, língua e tradições que resistem
VERONA, 19 de agosto de 2026 — Erica Santini para Espresso Italia
Ciao, amici: trago uma história de encontros que é quase um passeio sensorial pelo tempo. Dois professores de ensino médio de Verona, Alberto Zago e Emanuele Danese, embarcaram em uma viagem pela América do Sul — Argentina, Uruguai e Brasil — para documentar o que resta, 150 anos depois, da grande emigração veneta. O resultado? Uma descoberta vibrante de raízes que persistem como aromas na cozinha e como melodias nas festas comunitárias.
Ao longo do percurso, Zago e Danese encontraram descendentes de terceira, quarta e até quinta geração. Conversaram com associações locais, estudiosos e comunidades que ainda guardam, com carinho, a língua, a memória e tradições que atravessaram o oceano. "Sentimos que essas raízes venetas continuam vivas na gastronomia, no cultivo do hortelã e do vinhedo, nas canções e nas festas populares", conta Danese. Essas observações soam como convites: venha provar, sentir e aprender — um verdadeiro Dolce Far Niente entre pátios e praças.
O que mais impressionou os professores foi a presença simbólica dos leões de São Marco, espalhados por casas e edifícios, como sinais silenciosos de um passado que não foi esquecido. A fé cristã, preservada ao longo das gerações, e o uso persistente do dialeto conhecido como Talian revelam um patrimônio linguístico e espiritual que resiste ao tempo.
Entre as pessoas que os receberam está o professor Marcos Zancan, docente brasileiro dedicado ao ensino da língua veneta. Encontros como esse mostram que o diálogo entre terras distantes continua: palavras, receitas e rituais construíram pontes que ainda hoje unem Veneto a comunidades criadas além-mar.
Como curadora de experiências, eu vejo nesses percursos muito mais do que pesquisa histórica: vejo a textura do tempo nas paredes das casas, o perfume dos vinhedos ao entardecer e o som das vozes que cantam em dois mundos. É uma viagem que desperta todos os sentidos — o gosto de um prato que lembra a nonna, o toque áspero de uma foto amarelada, a visão de bandeiras e estandartes, o cheiro do pão recém-assado.
Andiamo: o trabalho desses dois docentes é uma lembrança preciosa de que migração não é apenas deslocamento, é plantio. E onde as sementes fincam, crescem comunidades que perpetuam tradições, reinventam memórias e celebram uma identidade híbrida, calorosa e resiliente. Para quem ama cultura e histórias vivas, essa viagem é um convite íntimo a redescobrir o Bel Paese espalhado pelo mundo.
