Quatro trilhos secretos com raízes medievais nos Alpes Orientais: descubra Velem, Kőszeg e os caminhos do tempo
Quatro trilhos nos Alpes orientais entre Áustria e Hungria: história, capela de São Vito, Springs Trail, castelo Jurisics e trilhos de BTT.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Quatro trilhos secretos com raízes medievais nos Alpes Orientais: descubra Velem, Kőszeg e os caminhos do tempo
Ciao, viajante: se você gosta de fins de semana ativos que combinam caminhada, história e um pouco de Dolce Far Niente, permita-me apresentar quatro caminhos nas encostas orientais dos Alpes orientais que são pequenos livros de história a céu aberto.
Começo por Velem, uma aldeia que abre portas para trilhos onde se sente a textura do tempo nas paredes da floresta. Ao aproximar-se, a olho nu, você avista a pequena capela de São Vito — também chamada Vid ou Vitus — como um ponto branco que perfura a verdeza a dezenas de quilómetros.
A capela, a 589 metros de altitude, ergue-se na serra de Kőszeg, no final de uma caminhada de dificuldade moderada. Construída no início do século XVIII sobre ruínas de uma povoação anterior, o lugar é um mosaico de memórias: ali viveram celtas há cerca de 2 000 anos; mais tarde, os romanos edificaram uma torre de vigia para defender os aquedutos que levavam água a Savaria. Durante a caminhada você ainda percebe os terraços celtas, talhados pela mão humana — verdadeiros vestígios que convidam a saborear a história.
Um segundo trajeto parte também de Velem, dirigindo-se ao Geschriebenstein, o ponto mais alto desta região, precisamente na fronteira entre Áustria e Hungria. Do lado húngaro, a rota de Velem exige alguma aventura; do lado austríaco, o acesso é mais suave, quase um convite ao passeio contemplativo entre pinheiros e clareiras iluminadas pela luz dourada do entardecer.
O terceiro itinerário é o conhecido Springs Trail (Források útja), um caminho de 14 km com 11 paradas que celebra a água: fontes famosas e pequenas nascentes escondidas na serra de Kőszeg. Cada ponto é um suspiro fresco — água fria na garganta, o perfume do musgo, o som cristalino que acompanha seus passos.
Fica a poucos quilómetros a charmosa cidade de Kőszeg, lar do castelo Jurisics, uma fortaleza gótica que foi palco do notável cerco de 1532. O capitão e seus cerca de 50 soldados, auxiliados por 700 habitantes, detiveram o avanço otomano rumo a Viena — um episódio envolto em mistério onde, dizem, as fortes chuvas de agosto teriam ajudado a virar a maré.
A travessia a pé entre Velem e Kőszeg ocupa um dia inteiro, mas recompensa: fontes de água fresca, a capela de São Vito, e antigas casas estírias usadas pelos guardas florestais no século XIX. É uma rota que combina natureza e história num ritmo para ser saboreado.
Por fim, no lado austríaco desponta o castelo de cavaleiros de Lockenhaus, ligado ao imaginário dos Templários, erguendo-se no parque natural de Geschriebenstein. A floresta aqui é um playground para ciclistas: trilhos de BTT com níveis que vão do fácil ao extremamente exigente. Desde a localidade de Rechnitz, o shuttle Burgenland Trails facilita a vida dos ciclistas, transportando bicicletas aos pontos de partida em miniautocarros que circulam aos fins de semana e feriados.
Andiamo: estes quatro trilhos são mais que caminhos — são convites para navegar pelas tradições, escutar as pedras e sentir o perfume dos vinhedos e das matas. Se planeja um fim de semana cultural e ativo, leve água, botas confortáveis e a curiosidade de quem quer descobrir os pequenos segredos do Bel Paese desta região transfronteiriça.

