Silvia Ziche revela: vivemos com o nariz no celular e solitários diante da IA na mostra '100% Silvia Ziche'
Exposição '100% Silvia Ziche' em Città di Castello reúne 250 obras; a cartunista fala sobre celulares, IA e a observação da vida cotidiana.
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Silvia Ziche revela: vivemos com o nariz no celular e solitários diante da IA na mostra '100% Silvia Ziche'
ROMA, 26 de setembro de 2026 — Por Agnese Ferrara (traduzido por Erica Santini)
Com a voz cálida de uma cronista das pequenas coisas e o olhar de quem saudavelmente observa a vida urbana, a cartunista Silvia Ziche abre ao público a sua grande retrospectiva. A exposição 100% Silvia Ziche, com mais de 250 obras originais, está instalada nas salas do Palazzo Facchinetti, em Città di Castello, e permanece em cartaz até 1º de novembro.
“Eu me inspiro nas pessoas, nas relações humanas, nos hábitos de grupo, não em um único personagem, talvez um político, porque não me interesso pelo protagonismo de alguns. Para me inspirar basta sair de casa e observar as pessoas, desenhando-as no momento — por exemplo no metrô — sem me preocupar se percebem, porque estão todas distraídas com o nariz no celular, absortas num mundo que pode ser real ou não, e não percebem mais a vida real, a sua”, conta Ziche em entrevista à ANSA.
É essa atenção ao coletivo — às pequenas rotinas, aos gestos involuntários, às ironias do tempo presente — que permeia a curadoria de Rita Petruccioli e a organização da associação Amici del Fumetto, sob a direção artística de Riccardo Corbò. O resultado é uma narrativa visual rica, muitas vezes mordaz, às vezes ternamente cômica, que explora como redes e dispositivos transformaram a convivência e a imaginação.
“Eu observo os fenômenos sociais e descrevo suas mudanças”, acrescenta a artista. “Recentemente assisto a uma busca quase espasmódica por respostas e soluções através da IA do telefone celular.” A frase resume uma tensão contemporânea: conectamo-nos mais, mas permanecemos sozinhos; pedimos à tecnologia certezas que a vida — com suas texturas e contradições — não entrega em formato pronto.
Ao percorrer a exposição, percebe-se o traço de Ziche como um instrumento de escuta. Cada pranchinha, cada vinheta, dá corpo a comportamentos cotidianos que, vistos de perto, viram história — uma história narrada com leveza e inteligência: o riso que acolhe, a crítica que não humilha, o humor que explica em vez de apenas julgar.
Para quem AMA o fumetto italiano e para quem busca entender os sinais do nosso tempo, a mostra é um convite ao Dolce Far Niente atento: sentar-se, olhar ao redor, sentir o perfume do cotidiano e perceber como tudo isso entra nos desenhos de Ziche. Andiamo — venha saborear essa pequena grande lição de observação humana.
Informações práticas: Exposição "100% Silvia Ziche", Palazzo Facchinetti, Città di Castello. Até 1º de novembro. Curadoria: Rita Petruccioli. Organização: Amici del Fumetto. Direção artística: Riccardo Corbò.

