Biennale di Venezia: renúncia em bloco da Giuria internazionale gera decisão para premiação pelos visitantes

Giuria internazionale da Biennale di Venezia renuncia em bloco; visitantes decidirão os Leoni. Cerimônia adiada para 22 de novembro.

Biennale di Venezia: renúncia em bloco da Giuria internazionale gera decisão para premiação pelos visitantes

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Biennale di Venezia: renúncia em bloco da Giuria internazionale gera decisão para premiação pelos visitantes

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Em um desdobramento inesperado na véspera da abertura, a Biennale di Venezia informou que a Giuria internazionale da 61ª Exposição Internacional de Arte apresentou dimissão coletiva. O anúncio ocorreu durante a visita de dois dias dos inspetores do Ministério da Cultura, deslocados em razão da controvérsia sobre o padiglione russo, e a apenas dez dias do início oficial da mostra.

A composição da Giuria internazionale incluía o presidente, a brasileira Solange Farkas, além de Zoe Butt, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi. A saída coletiva sucede semanas de polêmica em torno da decisão do presidente da direção, Pietrangelo Buttafuoco, de conceder espaço ao padiglione russo e pela presença de artistas israelenses.

Na prática, o episódio muda o procedimento de premiação: com a giuria extinta, a Biennale optou por delegar aos visitantes a atribuição dos dois Leoni relativos à Partecipazione nazionale. Entre as participações nacionais em disputa estão, inclusive, a Rússia e Israel — delegadas que a juria havia excluído previamente. A solução replica o modelo adotado em 2021 na Mostra de Arquitetura, quando as premiações também foram definidas pelo público devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19.

Como consequência prática, a cerimonia di premiazione, prevista inicialmente para 9 de maio, foi adiada para 22 de novembro — último dia de abertura ao público. A organização esclareceu que poderão concorrer "tutte le Partecipazioni Nazionali presenti alla 61ma Esposizione, come da lista ufficiale", invocando o princípio de igualdade e inclusão entre os participantes. Em nota institucional, a Biennale justificou a medida como coerente com seu "espírito fundativo baseado sulla apertura, sul dialogo e sul rifiuto di ogni forma di chiusura e censura".

No plano político, a volta da Rússia à mostra suscitou reação de entidades e instituições. A UE chegou a ameaçar cortes de financiamento, e o governo italiano se posicionou à distância. A primeira-ministra Giorgia Meloni reiterou que "a escolha sul padiglione russo è una scelta non condivisa dal governo", acrescentando, porém, que a Biennale é um ente autônomo: "Io questa scelta non l'avrei fatta".

Reações parlamentares e culturais se sucederam. O senador do PD, Filippo Sensi, exigiu o fechamento do pavilhão: "Chiudete quel padiglione, quella vergogna sulla Laguna". Já o presidente do Conselho Regional do Vêneto, Luca Zaia, saudou a ampliação do poder de decisão ao público, classificando-a como forma de "avvicinare la Biennale ai cittadini". Do lado dos artistas, o escultor Belu-Simion Fainaru, presente no Padiglione di Israele, afirmou que "gli artisti vanno valutati per il loro lavoro, non per il passaporto" e defendeu a inclusão, rejeitando qualquer forma de exclusão política ou racial.

Os fatos brutos permanecem: uma giuria internacional que renunciou em bloco, inspetores ministeriais no local, a retomada da participação russa pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia, e uma reorganização do processo de premiação que passa a depender diretamente da votação popular. Seguiremos com apuração contínua e cruzamento de documentos e declarações oficiais para atualizar qualquer nova implicação institucional, financeira ou cultural decorrente desta decisão.