Crans-Montana se alinha ao prefeito e direciona responsabilidades aos bombeiros no inquérito sobre o incêndio
Conselho de Crans-Montana apoia prefeito e aponta falhas de técnicos e bombeiros no inquérito do incêndio que matou 41 pessoas.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Crans-Montana se alinha ao prefeito e direciona responsabilidades aos bombeiros no inquérito sobre o incêndio
Relatório técnico e posicionamento político se cruzam na sequência do trágico incêndio de Ano-Novo em que 41 pessoas perderam a vida, entre elas seis jovens italianos. O inquérito ainda não registrou admissão de culpa por parte dos administradores locais, mas o Conselho Municipal de Crans-Montana adotou publicamente a linha de defesa anunciada pelo prefeito Nicola Féraud.
Em nota oficial, o governo municipal sustenta que a responsabilidade pelo mau funcionamento na gestão da segurança recai sobre técnicos e sobre os bombeiros, repassando, assim, o foco para as estruturas operacionais envolvidas no controle do estabelecimento incendiado "Le Constellation". Ainda que não cite nomes, a referência parece mirar nos dois funcionários já ouvidos pela Procuradoria: Ken Jacquemoud e Christophe Balet, respectivamente ex e atual chefe do serviço de segurança pública, que denunciaram falta de recursos e pessoal em seus depoimentos.
O Conselho ressalta, com documentação, que entre 2017 e 2024 atendeu sistematicamente aos pedidos de aumento de efetivo: "o número de postos de trabalho em tempo integral passou de 1 para 5 pessoas", diz o comunicado, afirmando que o setor se tornou um dos mais robustos do cantão em termos de quadro. A prefeitura frisa ainda que jamais impôs um limite orçamentário para a segurança e que, até o momento da tragédia, não havia nova solicitação de ampliação de pessoal por parte do serviço.
Sobre o audit de 2023, o Executivo municipal descreve o documento como uma análise de gestão pós-fusão dos quatro antigos municípios, direcionada a chefes de serviço em caráter geral, e não a uma avaliação aprofundada de um setor específico. Segundo a nota, o relatório não apontou problemas destacados, nem levantou observações relevantes por parte dos responsáveis pelas áreas avaliadas.
Em referência explícita aos controles de material, o município afirma que a verificação dos itens técnicos não cabia ao Executivo municipal, conforme a legislação aplicável e o formulário oficial de inspeção fornecido pelo Escritório Cantonal dos bombeiros. "Será competência do processo penal apurar por que os controles periódicos anuais não foram realizados e se essa ausência teve influência causal na ocorrência da terrível tragédia", conclui a nota, informando que todos os documentos pertinentes foram remetidos ao Ministério Público.
O posicionamento da administração de Crans-Montana demonstra uma estratégia clara de deslocamento do centro de gravidade das responsabilidades para os serviços operacionais e técnicos. Como repórter de apuração in loco e por cruzamento de fontes, registro que o município declara continuar colaborando integralmente com a justiça para que o inquérito esclareça os fatos e atribua responsabilidades com base nos dados e provas encaminhados ao Ministério Público.