Calor extremo: Garattini alerta para proteger o cérebro, hidratar-se e “comer menos”
Garattini alerta sobre calor extremo: proteger o cérebro, hidratar-se, rever medicamentos e evitar excessos alimentares e álcool.
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Calor extremo: Garattini alerta para proteger o cérebro, hidratar-se e “comer menos”
Em pronunciamento à distância no programa La volta buona, exibido nesta sexta-feira, 26 de junho, o farmacólogo e pesquisador italiano Silvio Garattini — presidente do Istituto Mario Negri — fez um alerta técnico sobre os riscos do calor recorde e ofereceu orientações práticas para reduzir danos imediatos à saúde.
Na avaliação de Garattini, estamos diante de um padrão térmico novo: “Este calor intenso é novo. Não é algo que já vivemos antes”. Por isso, a recomendação inicial é clara: proteger o cérebro. “É fundamental proteger o cérebro e comer relativamente pouco”, disse o pesquisador, sublinhando a sensibilidade do sistema nervoso central às variações térmicas.
Entre as medidas preventivas apontadas, Garattini enfatiza evitar exposição durante os picos de temperatura e sair de casa apenas quando estiver mais fresco, sempre bem protegido. O pesquisador também lembrou que o uso de protetor solar é importante para a pele, mas não substitui cuidados com outros órgãos: “Não esqueçamos que o uso de cremes com filtro solar é útil para a pele, mas não para os outros órgãos”.
No plano alimentar, as indicações são objetivas: manter consumo regular de frutas e verduras e reduzir a quantidade ingerida em relação ao apetite habitual — a regra prática citada foi “comer sempre um pouco menos do que sentiríamos vontade”. A orientação visa diminuir o estresse metabólico em condições de calor extremo.
Garattini também aconselhou revisão de tratamentos em curso: com a vasodilatação induzida pelo calor, há tendência de queda da pressão arterial. Pacientes em uso de medicamentos anti-hipertensivos devem consultar o médico para avaliar necessidade de ajuste de dose. “Se se tomam fármacos antipertensivos, é importante falar com o seu médico; pode ser útil diminuir as doses”, explicou.
Sobre o consumo de bebidas, o professor recomendou limitar o álcool. Ele lembrou que o álcool é classificado como cancerígeno, citando o exemplo dos licores com 40% de teor alcoólico. Garattini ressaltou ainda que, embora o vinho faça parte da tradição italiana, é preciso ter consciência dos riscos associados ao consumo.
Quanto à hidratação e estimulantes, as indicações foram pragmáticas: beber bastante água ao longo do dia e não privar-se totalmente da cafeína. Segundo o pesquisador, uma xícara de café expresso contém cerca de 30 mg de cafeína e traz compostos antioxidantes; consumir 3 a 4 xícaras ao dia pode ser aceitável dentro desse contexto.
Resumo técnico das recomendações de Garattini: evitar exposição nos horários mais quentes, proteger-se adequadamente, manter hidratação constante, priorizar frutas e verduras, reduzir levemente a alimentação habitual, revisar doses de medicamentos com o clínico e limitar o álcool. A mensagem converge para mitigação de riscos imediatos frente a um evento climático pouco habitual, com foco na proteção do cérebro e na preservação da função cardiovascular.
Apuração e tradução das declarações do professor Silvio Garattini para o português por Giulliano Martini, correspondente com 48 anos de vivência na Itália e apuro técnico dedicado à checagem das fontes citadas no programa.