Irmã de El Koudri: "Meu irmão destruiu vidas" — relato e pedido de desculpas em Modena
Irmã de El Koudri, em áudio, pede desculpas e descreve o choque da família pelo atropelamento que deixou vítimas em Modena.
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Irmã de El Koudri: "Meu irmão destruiu vidas" — relato e pedido de desculpas em Modena
Por Giulliano Martini — Em apuração direta e cruzamento de fontes, a família de Salim El Koudri divulgou um comunicado em áudio que traz o relato emocionado de sua irmã, Carmen El Koudri, sobre o episódio ocorrido no último sábado em Modena, quando o jovem atropelou sete pessoas, deixando feridos e, em ao menos um caso grave, a perda permanente da mobilidade de uma vítima.
O áudio foi entregue ao advogado de defesa, Fausto Gianelli, que o reproduziu à imprensa como forma de manifestação da família. "É difícil, é impossível encontrar palavras justas", diz Carmen entre soluços. "'Ci dispiace' não é suficiente — não existe frase que descreva o quanto sentimos. Todo pensamento está voltado para as vítimas, suas famílias e para quem presenciou o pesadelo de sábado, e pensar que isso partiu do meu irmão..."
O relato, marcado por pausas e emoção, reafirma o sofrimento familiar e a tentativa de expressar solidariedade às pessoas atingidas pelo episódio. Carmen destaca o impacto sobre uma senhora que, conforme o depoimento, "não poderá mais caminhar". "Não consigo imaginar quanto isso doa", afirma a irmã, interrompida repetidamente pelos soluços. "Dizer 'me desculpe' nunca será o bastante. Nunca, nunca, nunca."
Na narrativa fornecida ao advogado, Carmen descreve o retrato de Salim como alguém até então exemplar: "Estudioso, preciso, ordenado — era o aluno certinho, o filho perfeito. Sempre limpo, até no quarto". A família, segundo ela, não percebeu sinais claros que antecipassem essa violência: "Nos últimos tempos ele estava diferente, mais combalido, achei que se tratasse da frustração de não encontrar trabalho aos 30 anos". Essa observação aparece como tentativa de explicar mudanças de comportamento sem, no entanto, justificar o ato.
Gianelli, advogado de Salim, acrescentou contexto factual para corrigir versões imprecisas circuladas nas primeiras horas após o incidente: o casal de pais chegou a ser acusado de ter fugido, mas, segundo o defensor, eles apenas passaram duas noites na casa da filha e já retornaram ao domicílio.
Carmen admite a contradição entre o afeto familiar e a gravidade do ocorrido: "Não sei se conseguirei olhar meu irmão nos olhos, mas não podemos deixar de amá‑lo. Iremos visitá‑lo, não sabemos ainda quando". A fala da irmã segue a linha de um pedido público de desculpas e de reconhecimento do dano causado, sem advogar por explicações precipitadas ou por mitificações.
Como repórter em campo e com cruzamento de dados, registro que o depoimento da família faz parte do panorama público do caso, mas não altera as responsabilidades legais em apuração pelas autoridades competentes. Os fatos brutos — sete pessoas atingidas, feridos graves e sequelas permanentes em ao menos uma vítima — permanecem objeto de investigação. A cidade de Modena e as autoridades seguem acompanhando o quadro clínico dos feridos e o desenvolvimento do inquérito.
Este texto reflete a voz direta da família, sem adições conjecturais: documento de pesar, retrato do acusado feito por parentes e correção de boatos sobre uma suposta fuga dos pais, tudo a partir do áudio oficial entregue ao escritório de Fausto Gianelli. Seguiremos com apuração in loco e atualização dos fatos conforme novas informações oficiais forem divulgadas.