Boosta lança 'Pianorama': piano nu, eletrônica expandida e um desafio a Sanremo

Boosta apresenta 'Pianorama': piano cru, eletrônica expansiva e a provocação para incluir música instrumental em Sanremo.

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Boosta lança 'Pianorama': piano nu, eletrônica expandida e um desafio a Sanremo

Davide "Boosta" Dileo, cofundador e tecladista dos Subsonica, retorna com um projeto que é ao mesmo tempo íntimo e provocador. Chamado Pianorama, o novo álbum instrumental — disponível em vinil e digital pelo selo Torino Recording Club / Epic/Sony Music — propõe um duplo passeio pelo som: de um lado o piano em sua fisicalidade crua; do outro, as mesmas células sonoras alongadas em paisagens eletrônicas.

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Gravado no estúdio pessoal de Boosta em Turim, o disco foi concebido sem a ambição de polir cada nota. "Fui ao estúdio com a ideia de não buscar o som perfeito. Gravei meus pianos como eles soam de verdade, em uma única sessão, com todos os seus ruídos internos", conta o artista. Essa opção técnica confere ao Lado A uma tensão quase documental: o piano em primeira pessoa, com suas falhas e respirações. O Lado B, por sua vez, desdobra essas mesmas células em texturas eletrônicas que ampliam o horizonte sonoro do material.

As nove faixas do disco formam em sequência o próprio título — P-I-A-N-O-R-A-M-A — como se cada peça fosse um fotograma de um panorama sonoro. A escolha por revelar a imperfeição do instrumento surge como gesto estético e ético num tempo de hiperprodução: "Quando vamos a um jantar de gala, tendemos a nos arrumar diante do espelho. Este disco é como ficar em casa diante do espelho e olhar de verdade", diz Boosta, numa metáfora que é também um convite à consciência auditiva.

O lançamento ganha uma primeira apresentação nacional no palco da BASE Milano, dentro do FAROUT Live Arts Festival, e se desdobra em tournée — produzida pela Ponderosa Music&Art — que parte em 1º de novembro do Auditorium Parco della Musica em Roma, passando por Turim (28 de novembro), Forlì (3 de dezembro) e Milão (4 de dezembro). No palco, o piano será a própria banda: "Procuro espremer ao máximo o pobre coitado", brinca Boosta, antes de explicar que prefere ser parte da comitiva do que guia turístico, abrindo espaço para o imprevisto e para o fluxo da noite.

Além da proposta sonora, Boosta lança uma provocação ao principal palco da música italiana: transformar Sanremo no verdadeiro "Festival da música italiana", permitindo a presença de brani instrumentali. Em plena era dos refrões de 15 segundos para TikTok, o músico defende a música instrumental como uma necessidade fisiológica: tão essencial quanto campanhas pela boa alimentação para manter o corpo funcional, a música sem letra alimenta a paisagem interior coletiva e recupera uma dimensão de escuta que os formatos virais muitas vezes encurtam.

Como analista cultural, vejo em Pianorama mais do que um álbum: é um espelho do nosso tempo — um roteiro oculto que nos lembra que, por trás da imagem polida, existe o som da matéria. Boosta reconstrói a relação entre voz e instrumento, entre espetáculo e intimidade, convocando o público a um reframe da experiência ao vivo. Em tempos de efemeridade, a proposta é radicalmente lenta e generosa: deixar o inesperado acontecer.

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